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Quando se trata de misturar gêneros, Linkin Park não é apenas um qualquer, a banda tem feito isso com rap e rock por mais de uma década. Enquanto seu álbum de estréia, Hybrid Theory marcou uma geração que a muito tempo havia omitido suas atitudes rebeldes, também trouxe um público fiel e apaixonado por esse experimental, sem gênero. Aqui, vamos acompanhar o vocalista Mike Shinoda, que compara a mistura e diversidade de gêneros de hoje em dia, além de homenagear algumas das melhores músicas – Zeppelin, Run DMC, Public Enemy, The Beatles, Rage Against The Machine – que influenciaram a sua abordagem eclética. Nessa conversa, Mike também mostra clara compreensão da influente cultura pop, mencionando Purity Ring, Arctic Monkeys e Santigold. Mike também fala sobre o crescimento da banda e o conceito por trás do Living Things – Esse álbum ficou em número 1 no US Albums Charts em sua semana de estréia, com mais de 220 mil cópias vendidas.

 

Linkin Park sempre teve uma interação forte entre você e Chester Bennington, você diria que essa é uma das principais características?

Uma das melhores coisas em ter dois cantores com vozes diferentes é que você pode extender a paleta. Além disso, nós dois crescemos ouvindo coisas diferentes, e isso permite abranger uma gama de abordagens quando se trata em compor e executar. Ao longo do tempo, temos experimentado uma série de estilos diferentes, aprofundando em diferentes gêneros e também juntando-os. Eu acho que é uma das coisas que faz isso ficar divertido.

 

Linkin Park é uma das bandas de maior destaque do início dos anos 2000, que misturou rap e rock. Como você acha que esse som tem influenciado músicos que vieram depois?

Nós obviamente aprendemos com aqueles que vieram antes de nós, que experimentaram misturar gêneros. Haviam tantos como Zeppelin, Run DMC, Public Enemy, The Beatles, Rage Against The Machine. Nós éramos um produto de um monte de coisas. Hoje em dia, algumas das minhas músicas preferidas são sem fronteiras, sem gêneros. É quase como a questão da cor da pele – quando você está vivendo em um lugar onde as pessoas estão divididas e raça é um problema, você tem mais consciencia disso, do que quando você vive em um lugar onde as pessoas de diferentes raças vivem juntas e você não nota as diferenças de uma forma consciente, se isso fizer algum sentido.

 

Onde você acha que rock e rap se encontram agora? Você diria que eles estão ainda mais compatível do que antes?

Sim e não. Existem vários artistas de rap que estão fazendo coisas interessantes, desde Kanye e Pusha até Odd Future e Kendrick. Eu gosto das coisas A$AP e estou animado com a nova música de Schoolboy Q. O rock está tendo um pouco de crise de personalidade. Eu sinto que o material mais pesado não é tão inovador como eu gostaria que fosse e um monte de artistas estão tendendo para a outra extremidade do espectro, para coisas indie/pop, que eu sinto que está ficando um pouco saturado e chato. Quando os artistas misturam estilos complexos de uma forma divertida e de bom gosto – como Purity Ring, Santigold, Haim ou Arctic Monkeys, eu acho que isso é interessante.

 

Como você aborda o Living Things? Você manteve os fãs do Hybrid Theory em mente ao produzir este álbum?

Em primeiro lugar, para nós, escrever um álbum tem que ser um processo criativo. Eu quero que todos os seis integrantes da banda amem o álbum. Chegar lá é geralmente um processo de experimentação criativa e esticamento, para não mencionar o tempo gasto. Em nossos dois álbuns anteriores, Minutes To Midnight e A Thousand Suns, estávamos tentando esticar-nos para fazer uma música que estava longe do que já sabíamos. No Living Things, fomos à procura de maneiras de combinar todos esses estilos e idéias que tinham surgido nos últimos anos, para trazê-lo todos juntos.

 

A tecnologia mudou a forma como a música é produzida e entregue nos últimos 10 anos, como isso tem afetado o processo da banda?

Nossas primeiras demos eram em fita cassete. Quando nós lançamos uma lista de e-mails nos nossos primeiros shows, mais da metade dos fãs inscreveram seus endereços residenciais (e não o e-mail) porque eles não estavam usando e-mail ainda. Nós nos tornamos a maior banda no Facebook, que é um testamento da banda com seu foco em tecnologia. Mas quando se trata do equipamento relacionado à música, ele não precisa ser o mais novo, mas tem que ser aquele que nos dê o som que queremos. Com a quantidade de opções que existem no mundo, nós gostamos de estar cientes em limitar a quantidade de equipamento que usamos. Eu ouvi o Tom Morello dizer que, toda vez, ele usa o mesmo Pedal Board de guitarra, porque ele sabe que sua pedaleira lhe dá “o seu som”. No estúdio e no computador, existem milhares de diferentes reverbs, sons de teclado, efeitos de distorção. Queremos experimentar o suficiente para saber quais gostamos e entender a fundo os nossos favoritos, do que saber um pouco sobre um monte de equipamentos diferentes.

 

Em agosto, vocês fizeram uma colaboração com Steve Aoki para apresentar A Light That Never Comes. O que você pode nos dizer sobre essa colaboração? Quais são os aspectos estéticos que ambos, você e Aoki, compartilham?

A música surgiu de uma forma muito orgânica. Nós começamos a trocar idéias de uma nova canção, pelo Twitter. Eu acho que uma das coisas que tivemos sorte é que nós simplesmente nos demos muito bem e essa demo se transformou em algo que parece mostrar nossos estilos individuais muito bem – mesmo que seja um ponto de partida para ambos os artistas. No que diz respeito a estética que compartilhamos, eu diria que, musicalmente, nós dois focamos nossa atenção nos detalhes sonoros. Além da música, eu diria que os dois artistas também representam uma cultura que tem uma ligação profunda com os outros e com a música – ou seja, é mais do que “músicas” e “espetáculos”, existe algo mais profundo.

 

Datsik e KillSonik foram recrutados para o álbum Recharged do Linkin Park. Conhecidos por pegar influências do hardcore, dubstep e elementos eletrônicos, seria justo dizer que o estado atual da EDM e dubstep norte-americano poderia ter sido representações contemporâneas do que o Linkin Park foi em 2000?

Eu acho que os artistas EDM estão fazendo uma música emocionante agora, mas 2000 foi um momento completamente diferente, por muitas razões. As vendas de música estavam crescendo, o MP3 ainda não tinha realmente chegado, meios de comunicação social não existiam, a MTV reinava. Artistas de rap e rock estavam reagindo ao fenômeno mega-pop de Britney e N*Sync. E no final do ano, Hybrid Theory superou as vendas de Britney do mundo todo, que foi praticamente um Golpe de Estado. Hoje, eu acho que as coisas estão fluindo mais suavementes, com mais habilidade musical e mais fãs tem sido cultivados, com gostos mais exigentes.

 

Quais foram as melhores e piores decisões da sua carreira?

Melhor: decidir terminar a faculdade na Escola de Artes antes de ficar sério na música. Pior: pintar o cabelo de vermelho.

© 2013, www.linkinparkbrasil.com. O melhor portal de notícias do Linkin park no Brasil

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About The Author

Fã em tempo integral e criadora de conteúdo nas horas vagas, meu hobby preferido é escrever sobre Linkin Park e conhecer novos fãs. Tive a oportunidade de ir em 10 shows do Linkin Park, sendo o primeiro em 2004 no Morumbi e tive a oportunidade de ir em 3 do Mike Shinoda, na turnê do Post Traumatic.