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Mike Shinoda foi entrevistado pela Upset Magazine e falou sobre o Post Traumatic, Chester Bennington, os dias que sucederam a notícia de julho, a sua jornada até hoje e seus medos.


Ano passado, ele perdeu um dos seus melhores amigos pro suicídio e isso mudou seu mundo. O seu álbum de estreia Post Traumatic lida com a perda e a jornada que aconteceu em seguida.

É pessoal, assim como cada luto, mas também lida com algo maior. Chester Bennington significava muito para o Mike, mas também significava muito para o mundo em geral. Como a dupla dinâmica do Linkin Park, os dois trabalharam juntos lado a lado por quase 20 anos, se tornando uma das maiores e mais bem sucedidas bandas de rock no mundo, com um legado de 7 álbuns, incontáveis turnês mundiais e uma conexão única com as pessoas que estavam o ouvindo.

A perda do Chester foi sentida ao redor do globo. Pessoas perderam seu herói, um modelo e alguém que eles sentiam que o entendiam. Mike, perdeu um membro da família. Ele perdeu o propósito, também. Por quase sua vida inteira, ele era o “Mike Shinoda do Linkin Park”, agora, ele não tinha mais certeza.

No começo, Mike não sabia o que fazer. O seu método para lidar com as emoções era entrar no estúdio e usar isso para criar, mas agora, aquilo o assustava. Por nove dias ele deixou aquele medo tomar conta até ele decidir encarar de cabeça erguida. No começo, ele começou apenas a brincar, criar apenas por criar, mas eventualmente, a música que ele gostava começou a aparecer.

Isso que o Post Traumatic é. Pedaços do que aconteceu em seguida, na medida que Mike lidava com o passado e olhava para o futuro. Neste momento, ele está em Los Angeles, dando um acabamento para o álbum.

Eu estou indo muito bem, nos estágios finais. Nós estamos mixando, concluindo. Eu ainda tenho uma ou duas músicas para fazer. Tem uma música que está 90% pronta e a outra talvez 80%, e o restante está terminado. Está quase.

Mike conversou sobre suas experiências, e quando ele não consegue encontrar palavras, ou as palavras não aparecem, ele usa histórias para espelhar a sua própria jornada.

Chegou um ponto que eu estava curioso, e procurei outros artistas e bandas que haviam passado por uma situação semelhante a que eu passei. Eu olhei para ver o que eles fizeram em seguida. O quão cedo eles voltaram a tocar música, se apresentar, escrever ou lançar um álbum? E tinha de tudo. Algumas pessoas nunca voltaram, algumas demoraram 10 anos para voltar, alguns, AC/DC por exemplo, deram a volta e lançaram o Back in Black menos de 6 meses [depois da morte do cantor Bon Scott]. Eu me identifico mais com o AC/DC, mas eles já conheciam o [novo vocalista] Brian Johnson.

Não é como se o Linkin Park estivesse se sentindo sozinho. O show em tributo à Chester no Hollywood Bowl contou com a participação de Oli Sykes do Bring Me The Horizon, Jeremy McKinnon do A Day To Remember, Blink-182, Ryan Key do Yellowcard, Alanis Morissette, Daron Malakian e Shavo Odadjian do System of a Down, M. Shadow do Avenged Sevenfold, entre outros.

O foco principal era honrar o Chester e dar aos fãs um evento memorial. Nós conhecemos várias pessoas que cantaram, e eles foram ótimos, mas a gente foi ao palco do Hollywood Bowl, cantamos várias músicas com várias pessoas, e, depois do show ou na semana seguinte, eu fiquei refletindo sobre o show que aconteceu. Eu estava pensando, todos aqueles cantores foram ótimos, mas nenhum deles cantam como o Chester.” 

Além dele ser um ser humano ímpar, ele era um dos melhores rockstars do mundo e um dos mais versáteis. Ele tinha uma voz única. Tem sido bem difícil aceitar e continuar trabalhando. Nós não temos planos para o Linkin Park, mas ao mesmo tempo, eu estava trabalhando nessa músicas por conta própria e me sentido apaixonado e era terapêutico para mim, que seria provavelmente terapêutico para os fãs também. Foi assim que esse álbum solo veio a tona.

Eu não sei se eu poderia ter feito outra coisa.” ele continua. “A única outra coisa que passou pela minha cabeça foi, eu amo compor com outras pessoas, eu estaria feliz produzindo alguns álbuns ou escrevendo com outros artistas, e eu adoro pintar, e eu adoraria ter feito algumas amostras de arte.

Mas, essas outras coisas não teriam me dado essa cartarse e essa terapia que o álbum me deu, não apenas para mim, mas também para mostrar para os fãs como eu estou. Essa conversa está acontecendo em tempo real, isso é algo que tem sido importante para mim.”

“Eu estava tentando ser mais aberto sobre como as coisas estão indo. Inevitavelmente, eu tenho que falar sobre isso em entrevistas e com os fãs, e eu vou ter que subir aos palcos e tocar essas novas músicas e as músicas antigas também. Eu realmente dei uma longa olhada em tudo isso. Eu queria ter certeza que na medida que avançada, eu estava preparado para isso. Eu não posso me preparar para todas as situações mas eu queria ter uma certa certeza que eu sei no que eu estou me metendo.

Uma das coisas que eu estava mais nervoso era ver os fãs.  Eu seria singularmente responsável quando eles me viessem e começassem a falar sobre o Chester, chorar ou me fazer perguntas, etc. Eu seria responsável por ter essas conversas. Primeiro, eu estava preocupado que seria difícil fazer. Eu tenho vários fãs que vem e dizem ‘eu tive depressão a minha vida toda, eu já tentei me suicidar mais de uma vez, então tudo tem sido muito difícil e eu identifico com isso.’ Eles estavam apenas me falando coisas, eles não estavam me pedindo para corrigir, dar conselhos ou soluções, eles estavam apenas me falando coisas. E isso pode ser muito, mas muito difícil sabe? Mas eu tenho em mente que isso é algo generoso e carinhoso da parte deles, de estarem vulneráveis e me contarem essas coisas.

No Post Traumatic, Mike tenta retribuir isso de certa forma.

Eu sei que eu estou numa posição que não posso resolver os problemas das pessoas, mas eu posso falar sobre as minhas próprias jornadas e batalhas, então eles tem um ponto de referência e sabem que eles não estão sozinhos.

Se você está lendo essa reportagem, provavelmente a morte do Chester afetou você. Afetou todos nós. É quase impossível colocar em palavras o quão forte abalou, mas saber que você não está sozinho nessa confusão, nessa perda, torna isso um pouco mais fácil.

De qualquer forma, é meu trabalho transformar esses sentimentos em palavras.” diz Mike com um sorriso. “Eu descobri que minha percepção das coisas mudam de tempos em tempos. A comunidade de Alcoólicos Anônimos, não o grupo em si, mas toda a rede de suporte de amigos e familiares, frequentemente ensina que ser um facilitador é parte do problema, mas você não é responsável pelos atos daquela pessoa. Você pode fazer o que puder para ajudar, mas apenas dentro do limite. Você pode apenas ajudar se você também estiver protegendo e amando a si próprio.”

Estando na minha situação e aprendendo com isso, eu tenho meus próprios problemas e lutas. Em um momento eu me senti na obrigação de responder as pessoas que obviamente estavam com problemas no Twitter, mas eu tenho que me lembrar que isso não ajuda. Não é bom para eles. Não é bom para mim. Eu não posso solucionar os problemas deles, tudo o que eu posso fazer é dar um exemplo do que eu estou fazendo e o caminho que eu estou tomando para resolver.

É responsabilidade de todo mundo cuidar dos seus problemas e descobrir a melhor maneira de lidar com eles. Todos nós temos os nossos problemas. Mas por outro lado, eu também sou humano. Se eu vejo alguém sofrendo, eu quero fazer algo para ajudar.

Por volta de Agosto do ano passado, o Twitter como organização, percebeu que existe muito sobre a saúde mental acontecendo na plataforma. Eles querem lembrar as pessoas que elas tem um botão que você pode clicar se você perceber que tem alguém que está em perigo ou que pode ser perigosa para si próprio. Se você estiver preocupado, você pode usar isso e a pessoa terá a chance de entrar em contato com alguém que pode ajudar. Eu acho isso reconfortante.

Através de todo o catálogo, Mike já compartilhou muito sobre ele mesmo para o mundo, mas em Post Traumatic, é o ato de conversar que parece importante, não o resultado. Ele compartilha a sua própria jornada, os dias bons e os dias ruins, sem medos de julgamentos e encoraja as pessoas a seguirem por conta própria, porque elas não vão estar sozinhos.

Por um lado, eu queria que fosse algo meio cronológico, e por outro lado, a sequencia das músicas tem que ser algo ouvível, em termos do que um album deveria ser. Eu tentei balancear essas duas coisas, mas ele vai de um lugar escuro e claustrofóbico para algo mais iluminado e aberto.

Over again foi escrita e gravada dias antes e depois do show tributo no Hollywood Bowl e mostra um Mike em guerra consigo mesmo e todos esses sentimentos de certo e errado. Existe uma raiva direcionada para o mundo por ele se encontrar nessa situação impossível. Não é bonito, mas é cru, não é filtrado e honesto.

Crossing a Line parece um recomeço. Captura o seu medo de falar para os integrantes do Linkin Park sobre a necessidade de fazer algo por conta própria e admitindo que ‘eu tenho demônios dentro de mim, então estou diante de uma escolha.’. Filmado no Sunset Strip em West Hollywood, mesmo local onde o Linkin Park tocou o seu primeiro show em 1998. Novos amanhecerem não significam que o passado foi esquecido.

O álbum vai de um lugar escuro até um lugar iluminado, e a Crossing a Line é a metade do álbum. Ele mostra a transição de eu não querer sair da minha casa até eu voltar para a sociedade de novo. Teve um mês por aí que eu tive que voltar para o mundo e estar ok com isso.”

No começo eu não queria sair da minha casa, nem sair para almoçar porque me parecia assustador.  As pessoas vinham me falar ‘Ah cara, eu sinto muito pelo que aconteceu’ e eu teria que ter essa conversa terrível com estranhos. Todas as pessoas, todos os meus amigos, todos os membros da família, teríamos que mergulhar direto pra esse assunto.

Teve uma situação que eu sai para almoçar pela primeira vez desde que o Chester morreu e eu e minha esposa estávamos voltando para o carro e pensando ‘Deu tudo certo, nós podemos fazer isso’. Mas um maldito de um paparazzi parou perto do meu carro e tirou fotos nossas e fez perguntas idiotas. E foi miserável.

Eu falei que eles deveriam ter vergonha deles mesmos, e eles só ficaram me encarando com uma cara triste porque eles sabiam que tinham feito algo errado, mas é o trabalho deles. Mas que trabalho horrível e que lugar horrível para se estar, não é? Só fez ficar mais difícil para mim falar sobre a minha vida.

Eu fui tomar sorvete e começou a tocar uma das nossas músicas. Eu poderia estar tendo um dia normal quando eu não estava pensando nisso, mas quando algo como isso acontece, me puxava para o fundo do poço. Num certo ponto, eu tive que encarar e estar ok com isso.”

Eu tive que ouvir as nossas músicas, por exemplo. Eu estava no carro voltando da casa do Phoenix. Nós estávamos com os caras da banda e ele perguntou ‘Vocês já tentaram ouvir a nossa música?’ e todo mundo respondeu não. Tinha passado uma semana e meia ou algo assim, e nós ainda não tínhamos tentando porque parecia assustador. Eu perguntei ‘E você, ouviu?’ Ele disse sim e eu perguntei como foi. Ele disse ‘Sabe, não é tão assustador quanto vocês pensam. Eu ouvi a One More Light, e eu consegui.’ Agora eu estou tentando ouvir nossas músicas de novo e encarar de cabeça erguida. Eu estava dirigindo naquela noite, e escurando nossas músicas. Foi difícil,  mas era algo que eu poderia riscar da minha lista de coisas a serem feitas.”

Na medida que eu fui avançando, eram mais e mais coisas que eu conseguia lidar. Tem coisas que são ok e coisas que eu aprecio. Quero dizer, não ouvir a nossa música o tempo todo, mas eu nunca fui o tipo de pessoa que ouve a nossa música o tempo todo, estou mais ‘é, esse sou eu, mas se ela tocar na sorveteria, eu estarei ok com isso.’ ”

Mike Shinoda já fez álbuns solos antes. Seu projeto Fort Minor lançou The Rising Tied em 2005, como um lugar para ele explorar suas influências de Hip Hop antes delas serem recebidas pelo Linkin Park. Então, em 2015, ele lançou o single “Welcome” como uma desculpa para escapar dos estádios que o Linkin Park estava divulgando o The Hunting Party e se reconectar com os fãs e com sua espontainedade.

Por um momento, pareceu que qualquer coisa era possível, e assim tudo foi se conduzindo para o primeiro álbum solo de Mike Shinoda.

“Eu não tinha dúvidas de que conseguiria fazer um álbum solo“, ele conta. “Eu faço isso com o Linkin Park, sempre. Eu estou portrás de tudo, sei que consigo fazer qualquer coisa musicalmente, sei que posso fazer tudo o que quiser em termos de produção, isso não é um problema, pelo contrário, é algo que adoro fazer.”

Usei meu nome porque não queria que as pessoas pensassem que seria algo relacionado ao Fort Minor ou ao Likin Park.Ttem sua própria vibe.”

Ele já estava pensando em fazer algo solo depois do One More Light, mas que fosse em seu nome. Como um sinal de intimidade, pessoalidade, mas também algo novo e sem expectativas. Que tivesse um novo começo mas sem expectativas de como acabaria. Depois de tudo o que ele passou ele precisava de liberdade e controle.

É um fator decisivo. Toda vez que você passa por algo traumático ou estressante, uma das piores emoções é se sentir sem controle.”

Estive recentemente na China, e parei na frente de um Parque em Shangai onde os pais negociam casamentos para seus filhos, os filhos se podem ir lá, ou os pais podem levar fotos. Eles tem informações e descrições, por exemplo, do quanto ganham, o carro que têm, isso foi muito diferente pra mim, mas de novo, me veio aquele sentimento de controle.”

Passei por isso e vi que não tinha nenhum controle sobre, eu não tenho controle nem de quem eu sou. Em alguns momentos, senti-me em perigo, como se minha identidade fosse sair de mim, foi horrível sentir isso.”

Então, estou gravando esse álbum, passando por tudo isso, tendo idéias para vídeos e em poucas horas sair para gravá-los. Posso ter uma ideia e colocar em prática. Não preciso da permissão de ninguém. Pra mim, é meio louco. Nunca fiz isso. Sempre estive com outras pessoas.”

No Linkin Park, quando íamos decidir sobre um show ou uma música, cada passo que dávamos, era em concordância com os outros cinco, pesando os prós e os contras. Era assim em qualquer decisão. As pessoas que trabalhavam conosco nos diziam que era inacreditável o quão longe nós já tínhamos chegado, tendo seis gerentes, nenhum negócio pode ter seis líderes, e numa banda é difícil haver democracia como na nossa havia.”

Foi diferente sair disso e poder dizer, ‘isso é o que eu acho que vai ser melhor pra mim e pros fãs que estão ouvindo’, mas foi um ótimo sentimento.”

Como esperado de alguém com uma bagagem variada como o Mike, o Post Traumatic não é previsível e nem se mantém num só caminho.

Acabou tendo muita variedade nele, fizemos alguns álbuns com Rick Rubin e falamos sobre Public Enemy – cresci com essa banda, os amo, e falamos sobre como Chucy D, em alguns casos era o Public Enemy, mas você nunca teria o Public Enemy sem o Flavor Flav. Chucky era o rapper super político, e o Flavor Flav era o cara que mantinha as coisas engraçadas e mais leves no momento certo. Isso era muito importante. As pessoas precisam de algo que quebre o gelo quando as coisas estão muito pesadas.”

Falando do álbum, eu sabia que a primeira parte do álbum não seria fácil de lidar mas, mais importante que isso, eu não ia querer escutar um álbum só com musicas de

pressivas. Então quando me sentia melhor em alguns dias, eu fazia uma música. Foi assim que fiz a Lift Off e Can’t Hear You Now.”

Em Post Traumatic, Mike quer ser ouvido, além de compartilhar músicas, dar entrevistas, e propriamente lançar o álbum, ele também está fazendo show em festivais ao redor do mundo. Escrever e gravar músicas é uma terapia pra ele, agora é hora de mostrar o caminho para outras pessoas.

Estou tomando cuidado com isso, passei por algo que era inimaginável pra mim, e continuo aqui. Continuo aqui, e posso aproveitar minha vida, posso continuar com minha arte e fazendo coisas que amo. As coisas mudaram muito mas ainda podem ser boas. Existe uma vastaestrada que ainda não foi explorada na minha frente, e eu pretendo explorar cada centímetro dela.”

Post Traumatic, o álbum de Mike Shinoda, sai dia 15 de Junho. 

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Fonte: Upset Magazine | Tradução Linkin Park Brasil

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About The Author

Fã em tempo integral e criadora de conteúdo nas horas vagas, meu hobby preferido é escrever sobre Linkin Park e conhecer novos fãs. Tive a oportunidade de ir em 10 shows do Linkin Park, sendo o primeiro em 2004 no Morumbi e tive a oportunidade de ir em 3 do Mike Shinoda, na turnê do Post Traumatic.