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Na sexta-feira do dia 07 de Dezembro, Mike Shinoda disponibilizou a versão Deluxe em Vinil do Post Traumatic que apresenta aos fãs duas faixas inéditas nomeadas Prove You Wrong e What The Words Meant. Entretanto, as faixas infelizmente não estão disponíveis nos serviços de streaming (Spotify, AppleMusic), mas estão disponíveis para quem quiser escutá-las no Youtube. Segue abaixo a análise e o review em primeira mão das novas faixas.

Prove You Wrong:

Mike Shinoda sempre teve uma pegada ofensiva no que diz respeito a forma com que ele canta/rima em sua músicas usando e abusando de auto confiança, mas ao mesmo tempo ele sempre mostrou sinais de dúvida e incerteza, o que o torna elemento essencial e representativo da mágica por trás da sonoridade de suas canções.

Prove You Wrong é um grande exemplo dessa ambiguidade, já que em seu refrão, a música nos mostra um Mike cansado das pressões ao seu redor, e assim, impondo um novo começo para sua vida e carreira. Tal verso funciona como um ponto final para as dúvidas as quais alguns fãs possam ter dele como artista e pessoa após o acontecido com Chester.

“Welcome to the breakdown
Tired of playing games now
Make it no mistake
I will prove you wrong
I’m sick of being patient
Underestimated
This will be the day
That I prove you wrong”

“Bem vindo ao ponto de virada
Estou cansado desses jogos
Não se engane
Eu vou provar que você está errado
Estou cansado de ser paciente
Subestimando
Esse vai ser o dia
Que vou provar que você está errado”

Ao mesmo tempo, no segundo verso da música podemos enxergar uma outra perspectiva, no momento em que Mike rima sobre sentir-se bem por um momento e logo em seguida ver a sua vibe mudar completamente. Tais sentimentos costumam apresentar-se de forma frequente em pessoas que atravessam por dificuldades ou passam por uma perda grande em suas vidas.

“I was on a high for a minute
Feeling just right, just fine for a minute
And then my vibe could turn on its side for a minute”

“Eu estava de boa por um minuto
Me sentindo certo, tão bem por um minuto
Então minha vibe podia virar completamente em um minuto”

É possível identificar uma mensagem para uma pessoa na música, ou talvez, Mike falando consigo mesmo (fica em aberto tal questionamento). Em tal ponto da canção, ele deixa claro que quando ele mais precisou e pediu pra confiarem nele, a hesitação (talvez por medo) não permitiu.

“The second I asked you if you had my back
And in your hesitation, betrayed, you did not
I asked you for confidence you haven’t got”

“No momento que eu perguntei se podia confiar em você
Em sua hesitação, traído, você não
Eu te pedi confiança mas você não tinha”

No pré-refrão podemos sentir um grande senso de esperança. Mesmo com as coisas terríveis que aconteceram, Mike afirma que dará a volta por cima no final. Também desabafa que não é a primeira vez na qual ele chega ao fundo do poço e, ainda assim, consegue achar seu caminho de volta. Também acredita que mesmo que pudesse fazer com que o tempo voltassem, ele em a consciência de que existem coisas que estão fora de seu controle.

“I’ve been to the bottom now
And I may go back again
Even if I could turn back time
There are things out of our hands”

“Eu já estive no fundo do poço
E talvez eu volte
Mesmo que eu possa voltar no tempo
Há coisas que estão fora do nosso controle”

What The Words Meant:

A conexão de uma pessoa com uma música ou artista vai além da língua falada e transcende a cultura, o espaço e o tempo presentes em um trabalho musical.

Desde o momento em que nos tornamos fãs de um artista procuramos ver a tradução e, ainda além, o significado por trás daquela música que a gente gosta. Embora cheguemos perto de tal entendimento, na maioria das vezes não saberemos a verdadeira história ou o principal motivo para a existência de tais letras, tornando-as livres para a interpretação subjetiva de cada pessoa que tem acesso ou indenficação com as mesmas.

What The Words Meant é justamente esse tipo de canção. Dona de uma sonoridade abstrata e quase obscura, a música nos embala com uma das letras mais profundas já escritas pelo Mike Shinoda. A princípio, alguns fãs imaginaram que a letra seria sobre a relação dele com as músicas que o Chester fez ao longo de sua carreira.

“I thought I understood what the words meant
I thought I knew the meaning behind
I memorized the sounds and the rhythms
And wondered about the stories inside”

“Eu pensei que entendi o que as palavras significavam
Eu pensei que sabia o significa por trás
Eu memorizei os sons e os ritmos
E imaginava as histórias internas”

Mike explicou em seu Twitter que essa música revela a maneira como os artistas e pessoas no geral lidam com o luto. Ele também contou que a ideia veio de uma conversa com uma artista que é sua amiga. Mike já conhecia suas músicas há um tempo, porém nunca soube o real significado por trás delas. Apenas em uma conversa com a artista em questão, ela contou que suas músicas eram sobre a perda de sua irmã.

A mágica por trás dessa música está justamente no seu “livre arbítrio”. A perspectiva da letra (cantada em primeira pessoa) abre um leque de interpretações. Particularmente, ao ouvi-lá pela primeira vez, WTWM me trouxe um senso de intimidade muito grande. Foi como se eu estivesse assumindo o lugar do Mike e cantando sobre a minha relação pessoal com as músicas do próprio Linkin Park. Assim como vocês que estão lendo, eu passei anos consumindo essas músicas e gravando cada palavra, cada detalhe, porém em poucas ocasiões elas realmente falaram comigo e com a minha maturidade aliada aos meus problemas existenciais. Nesse caso, essas mesmas músicas se tornaram o meu refúgio, um lugar no qual eu poderia me sentir representado e compreendido. Eu me senti abraçado no momento em que soube da existência de outras pessoas lidando com os mesmos problemas com os quais eu lido diariamente. E isso se dirige tanto a fãs como eu, como membros da própria banda que sempre esteve comigo durante esses anos.

“The first time I heard it
Didn’t know what it was
It was foreign and angry and brilliant
I couldn’t get enough
But the story behind it
You revealed it to me
And I realized
You had lived through what I had never seen

“A primeira vez que eu ouvi
Eu não sabia o que era
Era estranho, raivoso e brilhante
Eu não consegui ter o suficiente
Mas a história por trás
Você revelou para mim
Então eu percebi
Você viveu coisas que eu nunca vi”

Chester sempre nos trouxe muito da suas experiências pessoais e histórias através da sua música (assim como os outros membros da banda), embora tenham sido poucas as vezes em que nós realmente soubemos o verdadeiro significado por trás de sua canções.

O maior exemplo dessa dualidade é o próprio One More Light. Muitos interpretaram o álbum como um grito de socorro, já outros pensam que as letras do OML são a história de um homem que enfrentou e exorcizou seus demônios, dando um senso de esperança as músicas do álbum. Ou seja, interpretações completamente opostas. Eu acredito que a coisa que realmente importa é significado que essas músicas tem para cada um de nós. Independentemente do objetivo ou história por trás dela fugir de nosso senso comum sobre o que estamos ouvindo.

Nos apaixonamos por bandas e músicas justamente pela capacidade que elas tem de nos representar através de um som. E, apesar de escutarmos a mesma música, nem sempre vamos pensar, enxergar, viver ou interpretar elas de maneira idêntica, pois a forma com a qual elas nos tocam e conversam com o nosso eu, muda drasticamente de pessoa para pessoa. Nós temos que ter noção disso e respeitar acima de tudo as diferenças de cada um. E isso vale, acima de tudo, para a nossa vida.

Notas do autor: Grande parte das informações desta review são pessoais e oriundas da minha perspectiva dessas canções. O mesmo vale para algumas traduções, podendo assim, conter erros. Tal opinião torna completamente natural a existência de outros pontos de vista para os leitores e fãs, abrindo assim, a possibilidade de debates construtivos entre nossa comunidade.

Autor: Hiago Cerqueira | Facebook | Twitter

 

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