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Mike Shinoda lançou o seu álbum solo no início de Junho desse ano (dia 15), onde ele exorciza seus demônios, mostra sua dor, e narra toda a trajetória de seu luto, desde a morte de Chester Bennington, em Julho de 2017.

Íntimo, visceral, profundo, e linear, Post Traumatic é um álbum conceitual, baseado em sentimentos reais, que através de 16 faixas nos faz entender como é perder o seu melhor amigo e como superar a dor e o vazio usando a música como terapia.

Place To Start

Segundo Mike “esse álbum começa em um lugar bem obscuro, ainda tentando superar a perda e falta do Chester, mas ele não permanece desse jeito, aos poucos, há uma mudança em sua vibe, saindo de um um lugar ruim, para um caminho um pouco mais esperançoso“.

A música nos passa um senso de falta de rumo por parte de Mike. Com uma harmonia bastante densa, a música se apresenta não somente como uma simples intro, mas como o início da procura por algo novo, uma forma de superar o ocorrido, literalmente um lugar para começar. Ela originalmente foi feita para o álbum One More Light (do Linkin Park) para ser a sua abertura. Mike revisou a letra depois da morte de Chester e pareceu justo ela ser também a abertura do seu próprio álbum. Ele manteve partes da bateria que Rob havia gravado durante o processo de criação do One More Light.

Over Again

Talvez essa seja a música mais triste e pesada em termos de sentimento, que o Mike já fez. Seus versos foram escritos horas antes do show em homenagem ao Chester no Hollywood Bowl, no dia 27 de Outubro de 2017.

Mike rima de uma forma narrativa toda sua perspectiva sobre tudo que aconteceu desde a morte do Chester até o dia do show e o quanto foi difícil para ele fazer aquele show, tendo em mente tudo que havia acontecido nos últimos 3 meses.

O refrão marcante veio durante os ensaios para esse show em homenagem ao Chester, pois a banda teve que “aprender” a tocar todas as músicas sem ele estar presente, o que gerou um sentimento de saudades ainda maior por parte da banda. Segundo Mike “quando você perde alguém que você ama, você constantemente irá se lembrar dessa pessoa pro resto da sua vida” e isso serviu de inspiração para o refrão.

Há versos aonde se vê claramente uma imensa irritação, por causa das perguntas que todos fazem mas que ele ainda não tem a resposta, pois ainda é muito cedo pra isso. Mike diz que “eu senti minha identidade correr perigo. Já é algo horrível perder alguém próximo, no meu caso eu perdi um amigo/irmão e também alguém, na qual toda minha vida e trabalho estavam atrelados. Eu tive medo de perder tudo que eu havia construído“.

Watching As I Fall

Mike sempre gostou de usar referências para construir suas músicas de forma não previsível, e Watching As I Fall é uma dessas canções.

Usando uma mistura de referências musicais e até mesmo de obras de arte, a música aborda o “futuro” que agora ele terá que construir, e como esse novo caminho irá se moldar, já que, segundo os amigos dele disseram “você não tem como reverter essa situação, a única maneira de você passar por isso, é descobrir quais novos caminhos surgiram pra você, através da perda“. Para Mike “é como se um devastador fogo selvagem criasse espaço pra algo novo nascer. Eu nunca escolheria ir por esse caminho, mas é o único que tenho, então eu devo seguir e ver aonde ele me leva.

A música tem a mesma pegada de Over Again, porém não há um peso tão forte e triste presente, aos poucos, Mike constrói o seu novo caminho, passando por diversos questionamentos, a exemplo no trecho “nothing is forever don’t be mad at the design” em que ele se refere ao fato de estarmos constante culpando alguém ou algo por termos perdido alguém, mas eventualmente acabamos descobrindo que não é culpa de ninguém.

Nothing Makes Sense Anymore

Parte do motivo da existência e processo de criação do Post Traumatic, foi devido a vontade do Mike de voltar a ter controle sobre sua vida. Desde que ele havia perdia o Chester, ele sentia como se tivesse perdido o controle e falta de direção.

As linhas inicias dessa canção “I used to know where the bottom was somewhere far under the ocean waves” refletem justamente isso, quando se perde alguém, constantemente se descreve o sentimento como “estar perdido no oceano” e é dessa forma que Mike se sentia.

Nothing Makes Sense Anymore é uma canção bastante melódica e reflexiva, com uma performance vocal bastante diferente por parte do Mike, algo que não víamos desde No Roads Left (demo do Minutes to Midnight).

About You (feat. Blackbear)

Durante o processo de criação do álbum, Mike pensava “eu tenho todas essas ideias que não são sobre o Chester ou sobre o que aconteceu” então ele escreveu uma música sobre esse sentimento que acontece durante a criação das músicas, pois nem toda música no álbum é sobre o Chester ou sobre o que aconteceu com ele.

De uma forma pessoal, a música apesar de tentar seguir esse caminho, ela falha, pois Mike não consegue alcançar esse status de “liberdade” dentro das letras, sendo assim impossível não deixar que ele ou nós, façamos qualquer tipo de associação ao que aconteceu.

Blackbear finaliza a canção. Ele trabalhou com o Linkin Park – mais especificamente com Brad – durante a produção da música “Sorry For Now” e foi convidado por Mike para se juntar a ele novamente, e nos primeiros momentos houve muita conversa sobre aqueles tempos, o que serviu de inspiração para os versos do Blackbear. Como exemplo “can’t find the words to a memory” que de forma abstrata, se associa justamente as lembranças daquela época durante a gravação do One More Light, mas que também da livre interpretação para quem ouve.

Brooding

A única instrumental do álbum, mas que funciona muito mais como uma intro para música seguinte do que uma instrumental/demo qualquer usada para preencher o álbum.

Mike já falou várias vezes que música sempre o ajudou a passar por momentos difíceis como uma espécie de terapia, e “Brooding” passa justamente esse sentimento. Ela soa como um mix de experimentos instrumentais, que começam de maneira calma e alcançam notas altas, até retornar para um simples e suave arranja de teclado que se encaixa perfeitamente na próxima música do disco.

Promises I Can’t Keep

Essa música é provavelmente a mais linda do álbum, sua construção é suave, marcante e te cativa desde o primeiro minuto. Mais do que em todas as outras, Mike canta sobre todo seu sofrimento com uma melodia que lembra bastante a faixa número 4 “Nothing Makes Sense Anymore”, porém de uma maneira muito mais bem trabalhada e rítmica.

Mike sempre foi uma pessoa com extrema capacidade de liderança, por estar sempre no controle de quase toda produção musical do Linkin Park, Fort Minor e todos projetos que faz parte. Ele sempre mostrou ter tudo sobre controle e estar nessa nova posição, em um novo caminho no qual ele não tem mais controle e não saber aonde isso tudo irá leva-lo, parece aterrorizante para ele e isso fica totalmente evidente nessa música.

“I had so much certainty, til that moment I lost control and I’ve tried but it never was up to me” é um dos exemplos dessa total falta de controle por parte dele. Apesar de tentar achar um jeito de voltar a ter controle da situação ele sabe que as coisas não dependem dele e que infelizmente nada será como antes.

“I’ve got no worse enemy, than the fear of what’s still unknown and the time’s come to realize there will be promises I can’t keep”. Aqui ele assume que existem coisas que infelizmente ele não pode prometer, uma linha de livre interpretação, mas com uma clara ligação ao futuro do Linkin Park, pois em várias entrevistas Mike já disse “não quero dar falsas esperanças” sobre como e quando a banda irá voltar.

Crossing A Line

A faixa de número 8 é um marco para esse álbum, como dito no início dessa review. Mike sempre disse que “Post Traumatic começa em luto mas não permanece dessa forma” e como o próprio nome dessa música sugere, ela serve como um divisor de águas entre os primeiros meses sombrios e envoltos do luto que o Mike teve, com os dias felizes e cheio de esperança que o futuro reserva.

Mike disse que enquanto ele construía essa música/álbum ele sentiu que primeiro; ele precisava ser completamente honesto, aberto e direto sobre as coisas que ele estava passando e como iria mostrar isso em suas músicas, e segundo; ele sentia que nesse ponto da sua vida, ele estava realmente recuperando controle da sua vida e criando seu próprio momento.

Porém, apósele decidir que queria fazer um álbum solo, ele sentia medo que seus amigos e companheiros de banda se sentissem abandonados, por ele estar seguindo esse novo caminho, por isso ele diz em nos versos iniciais:

They’ll tell you I don’t care anymore [Eles vão dizer que eu não ligo mais]
And I hope you’ll know that’s a lie [E eu espero que eles saibam que é mentira]
‘Cause I’ve found what I have been waiting for [Porque eu achei o que estava esperando]
But to get there means crossing a line [Mas pra chegar lá significa passar dos limites]

Fazendo referência direta a sua posição de jamais estar abandonando o Linkin Park ou deixando de se importar, mas que esse era um momento que ele tanto esperava, estava girando uma chave para uma nova etapa da sua vida, mas que para chegar lá, ele precisava “cruzar uma linha”.

Mike diz que essa música não é só para os amigos dele, mas sim para cada pessoa que frequentemente não se sente apoiada por outras pessoas em suas decisões pessoais. Esse não foi o caso dele e felizmente todos da sua família e amigos o apoiaram, mas não é sempre o que acontece e ele espera que com essa música as pessoas se sintam inspiradas a perseguir seus sonhos.

Crossing A Line significa decidir fazer algo arriscado, para Mike era óbvio que fazer algo do zero ao invés de usar uma das suas plataformas existentes como Linkin Park e Fort Minor, acabaria sendo algo mais trabalhoso e mais difícil de se fazer, e muitos podem não concordar com isso, mas pra ele essa era a maneira certa de se fazer.

Hold It Together

Chegando a segunda metade do álbum, começamos a ver realmente uma mudança de humor nas músicas e nas letras. De uma forma ainda mais aberta, Mike canta novamente sobre admitir a sua falta de controle sobre a sua vida no momento, e como ele está lutando pra sair dessa situação:

They say take it slow [Eles dizem para ir com calma]
But the world keeps spinning [Mas o mundo continua girando]
And that I don’t control [E isso eu não controlo]
And so there I go [Então lá vou eu]
Trying to act normal [Tentando agir normalmente]
So they won’t know that… [Então eles não sabe que…]

Porém, não é fácil manter controle da situação e tentar parecer normal apesar de tudo, mas ele afirma que precisa manter as aparências, o que é normal em pessoas que passam por uma perda. Para evitar preocupar as pessoas próximas, muita gente mantém uma postura de firmeza apesar de estar sofrendo demais pro dentro, e isso pode piorar a situação.

Hold It Together tem um tom “dançante” porém não é uma música com sentimento feliz. Apesar de parecer mais leve nessa segunda metade do disco, Mike ainda continua bastante reflexivo sobre tudo que passou, nos seus mínimos detalhes, inclusive quando cita uma festa de aniversário de 6 anos que ele foi, e lá foi questionado como ele estava em relação a morte do Chester, o que o forçou a fazer uma piada sem graça para fugir da situação. Mas, apesar disso, ele não queria se auto censurar, e manteve músicas como essa no álbum justamente para evitar esses tipos de situação e ficar o menos desconfortável possível.

Ghosts

A faixa número 10 do Post Traumatic tem tudo para ser uma música sobre os fantasmas que aterrorizam o Mike desde aquele fatídico dia 20 de julho, porém não é exatamente sobre isso.

Mike diz que nunca foi uma pessoa que acreditou no sobrenatural, ou teve experiências marcantes o suficiente para falar sobre o assunto, mas que chegou um ponto aonde ele não tinha escolha a não ser abrir um pouco mais a mente. Ele conta que tem um amigo que contatou um médium e essa pessoa disse que eles estavam procurando por um item (o que era verdade) então o médium apontou o local exato “vá ao seu closet, ele estará na parte de roupas, nessa posição” e lá estava, daí veio a ideia para as linhas de abertura da música:

She said [Ela disse]
This is not about a poltergeist [Isso não é sobre um espírito malicioso]
Not about a phantom that glows at night [Não é sobre um fantasma que brilha a noite]
But there are things we don’t know and I [Mas existe coisas que você não sabe]
Don’t have another choice but an open mind, oh [Não tenho escolha a não ser abrir a mente]

Ele diz que escrever músicas sempre pareceu algo que necessitava de um equilíbrio extremamente delicado e algo que sempre funcionava pra ele na hora de escrever uma nova canção era imaginar um ponto de vista, onde alguma outra pessoa contava/cantava para ele, e o mesmo acontecia na sua vida, ja que pessoas sempre contam histórias sobre fantasmas, e algumas são verdade e outras nem tanto.

Ghosts tem um video bastante diferente dos outros feitos pelo Mike. Um show de fantoches e cartolina colorida, a música se desenrola como uma história para crianças. Mike explica que queria que as pessoas também se divertissem com o Post Traumatic, apesar de tudo e principalmente mostrar para elas que o álbum também tem um lado mais leve, criando assim, um pouco de alívio cômico, em cima da temática do álbum como um todo e da própria música.

Make It Up as I Go (feat. K.Flay)

É a segunda faixa colaborativa do álbum, feita em parceria com a cantora K.Flay. Originalmente essa seria uma música do One More Light, Brad Delson estava trabalhando nela juntamente com K.Flay, mas eles acabaram sem tempo de concluir ela a ponto de entrar para o mix final do CD, então Mike decidiu chamar a cantora e reconstruir a música em certos pontos para encaixá-la no Post Traumatic.

Não é a primeira vez que Mike trabalha com uma artista feminina em um projeto solo, no passado, ele fez uma parceria com Holy Brook (hoje conhecida como Sylar Grey) no single Where’d You Go para o álbum The Rising Tied do Fort Minor.

Diferente das outras músicas do álbum, Make It Up as I Go tem uma pegada bastante pop, justamente por ser uma demo do One More Light. A voz da K.Flay é bastante exótica e dá um tom incrível a música.

Lift Off (feat. Chino Moreno & MGK)

Talvez essa seja a faixa mais aguardada de todo o álbum, com participação especial de Chino Moreno (do Deftones), amigo de longa data de Mike, e Machine Gun Kelly (MGK). A faixa tem uma pegada de rap oldschool, Mike abre o primeiro verso enquanto Chino Moreno canta o refrão bastante melódico, e MGK fecha o segundo verso de forma maestral.

MGK disse que quando foi convidado para fazer a música, ela já estava praticamente pronta, e que ele fez seus versos em apenas 10 minutos, simplesmente fluiu.

Em seu verso Mike rima:

Imagine me quitting [Imagina eu desistir]
what a travesty that’d be [que farsa seria]
You space shuttle challengers  [Vocês, Challengers do ônibus espacial]
are nothing but tragedies [não são nada além de tragédias]

Se referindo a como seria se ele deixasse o mundo da música devido ao que aconteceu com Chester. Ele também faz referência ao ônibus espacial “Shuttle Challenger” que foi o primeiro a enviar um civil ao espaço (a professora Christa McAuliffe) junto a tripulação, no dia 28 de janeiro de 1986, que infelizmente explodiu 73 segundos após seu lançamento, matando todos os 7 tripulantes, dando a entender que todos que vão contra ele queimam antes de chegar ao seu limite.

I.O.U

Nem sempre temos a chance de ver o Mike fazer um faixa completa de hip-hop underground. A última vez que isso aconteceu foi em 2012 em Until it Breaks do álbum Living Things (LinkinPark).

Aqui vemos a boa e velha formula se repetir, em cima de um beat trap extremamente bem feito, Mike nos mostra o melhor do seu flow, em uma faixa cheia de referências que vão desde basquete, como na linha inicial da música “Yeah, levitatin’ off the blacktop”, ao filme JAWS (do Steven Spielberg) “Too bad, that’s the water you’re gettin’ in, you’re too fat for the sharks that you’re swimming in”.

Mike sempre disse que, como amante do Rap e da cultura Hip-Hop, ele sempre amou o que ouvia nas músicas dos seus grupos favoritos, como Public Enemy, Cypress Hill, mas que sempre soube que nem tudo dito nessas músicas eram verdade, e que sempre que ele conta uma história durante uma música ele tenta se manter o mais fiel e verdadeiro possível, sempre abordando assuntos pessoais.

Na melhor linha da música “Play major, but Minor’s my main Fort” Mike faz referência direta ao Fort Minor, seu projeto paralelo, lançado em 2005, em pareceria com Styles of Beyond e outros artistas. Esse verso também associado a seu amor por música e esportes, pois apesar de gostar de esportes, seu coração está na música.

I.O.U (I Owe U – Eu te devo) é sobre pessoas que tentam pegar algo de você, independente do que seja. Quando estava na faculdade, em festas, Mike sempre bebia licor de malte, conhecido nos EUA como 40 (forty) e por conta do teor alcoólico. Sempre escutava Dre, Snoop Dogg e outros, que falavam sobre esse tipo de bebida e isso acabou se tornando o que ele mais bebia nessas festas, até que um dia, segundo ele, sua mãe o pegou bebendo (e por ser de menor) isso causou um grande problema “Used to drink at least a forty, ‘fore we mashed out”.

Quando Mike está trabalhando pesado em cima de uma música, ele costuma literalmente sonhar com a música e acaba acordando já pensando em uma maneira de melhorar a canção. Ele também tem um estranho hábito de dormir com os olhos um pouco aberto, e quando ele aparece com uma linha vermelha no meio dos olhos é porque ele dormiu pouco nos dias anteriores:

Cause even when I’m sleepin’ [Porque mesmo quando estou dormindo]
eyes keep ‘em open [os olhos os mantêm abertos]
Stripe across ‘em both [com uma linha atravessada nos dois]
the color of your hemoglobin [da cor da sua hemoglobina]

Mike também faz referências a Hugh Jackman (Logan) e Dafne Keen (X-23) do universo dos X-Men, pelo fato de Hugh ter interpretado o papel de Wolverine (Logan) durante 17 anos de forma extremamente bem sucedida, assim como o Mike durante toda sua carreira. Faz também uma conexão direta com a sua dor de luto, já que Logan (Wolverine) tem um poder de cura. Essa é a mensagem que Mike tenta passar com o Post Traumatic, que aos poucos ele e nós fãs iremos se curar do processo de luto e tristeza: “A huge act man like I’m known for being Logan, X-23 I’m keen to leave ‘em with a femur broken”

Running From My Shadow (feat. grandson):

A última participação especial do álbum fica por conta de grandson, uma artista emergente do gênero alternativo/indie. Aqui temos um Mike completamente mudado, totalmente fora da vibe triste que o acompanhava nas primeiras músicas do álbum, querendo claramente voltar a viver e seguir em frente com sua vida:

I been doing greater good for a long time [Eu tenho estado bem por bastante tempo]
But I can’t find any other way to give now [Mas não consigo ver outra forma de dar agora]
I been putting myself on the sideline [Tenho me deixado de lado]
And it’s been time [E faz tempo]
So I’m saying can I live now [Então, estou dizendo que posso viver agora]

Mike diz que nunca devemos deixar nossa generosidade virar sua fraqueza, pois isso pode ser usado contra você, e nem também deixar-se confundir generosidade com fraqueza.

Ele gosta da ideia simples de correr em círculos, por isso o refrão termina da mesma forma que começa:

Running from my shadow [Estou fugindo da minha sombra]
but it’s still there chasing me down [mas ela ainda está lá me perseguindo]
I’ll never win the battle [Eu nunca vencerei a batalha]
Never win the battle and [Nunca vencerei a batalha]
I should have known it by now [E eu já deveria saber disso]
Just when I think I’ve found the end ohh [Quando eu penso que encontrei o fim, ohh]
I’m going back around again ohh [Eu volto a tudo isso novamente, ohh]
Running from my shadow [Fugindo da minha sombra]
Running from my shadow [Fugindo da minha sombra]
but it’s still there chasing me down [Mas ela ainda está lá me perseguindo]

Essa também é a música favorita de Anna Shinoda, esposa do Mike. Running From My Shadow é Mike Shinda no seu melhor momento, uma música completamente energética e pra cima, que marca um ponto de mudança em sua carreira como musico.

World’s On Fire:

Não é comum Mike escrever músicas sobre amor, mas a penúltima faixa do álbum é claramente feita para a sua família – os filhos e Anna Shinoda. Não é a primeira vez que ele dedica uma canção para ela, Where’d Go, do álbum The Rising Tied (Fort Minor) já citada aqui, também foi feita para Anna.

A música fala sobre como eles o ajudaram durante todos esses meses que se passaram desde a morte do Chester, e como eles são importantes pra ele, sendo eles as únicas pessoas que ele precisa quando tudo esta dando errado.

Ele também diz que não precisa explicar sobre o que passou, pois todos sabem o que passa sobre a cabeça dele, e como tudo está completamente f*dido, e que ele não vê a hora desse ano (2017) acabar:

Don’t think I need to say this [Eu acho que não preciso dizer isso]
‘Cause you know what’s in my head [Porque você sabe o que tenho na mente]
“Fucked up” is an understatement [Ferrado é um eufemismo]
Can’t wait for this year to end [Mal posso esperar para esse ano terminar]

Todos devem ter ouvido a música pela primeira vez e associado ela ao Chester, porém não é o caso, como Mike já disse, nem todas as músicas são sobre o Chester ou sobre o que aconteceu. As vezes, como é o caso de World’s On Fire, ela apenas não fala diretamente sobre o Chester, mas sobre o que o ajudou a passar por seus momentos mais sombrios depois da sua morte.

Can’t Hear You Now:

A última faixa do Post Traumatic é uma atestado de bem estar, por parte de Mike, ele bravamente canta sobre o quanto as coisas ruins e tudo que ele passou já não o atingem mais, e o quanto elas não podem mais o derrubar nesse ponto:

You can call [Você pode me chamar]
‘til your voice is running out [até sua voz acabar]
But I can’t hear you now [Mas eu não posso te ouvir agora]
I can’t hear you now [eu não posso te ouvir agora]
I’m somewhere far away [Eu estou em algum lugar distante]
where you can’t bring me down [onde você não pode me derrubar]
So I can’t hear you now [Então eu não posso te ouvir agora]
I can’t hear you now[eu não posso te ouvir agora]

Ele afirma ter uma resposta pra cada um que julgar a partir de agora, e diz estar se sentindo ótimo e não tem medo de dizer isso:

I’m a beast, I’m a monster, a savage [Eu sou uma fera, um monstro, um selvagem]
And any other metaphor [E em qualquer outra metáfora]
the culture can imagine [a cultura pode imaginar]
And I got a caption [E eu tenho uma legenda]
for anybody asking [para alguém perguntando]
That is [Ela é assim]
I am feeling fucking fantastic [estou me sentindo fantástico, porra!]

Porém também existe um senso de sabedoria, aonde ele afirma saber que nem sempre será assim daqui pra frente, e que terá dias em que o mínimo de problema o deixará triste e pra baixo e que terá dias que ele irá lutar pra ter o controle novamente. Mas que, pelo menos nesse momento, ele sabe que está acima de tudo isso:

Some days [Tem dias que]
it doesn’t take much to bring me down [não precisa muito para me deixar para baixo]
Some days [Tem dias que]
I’m struggling for control [eu estou batalhando para ter controle]
Some days [Tem dias que]
it doesn’t take much to bring me down [não precisa muito para me deixar para baixo]
But, right now [Mas, neste momento]
I’m floating above it all [estou flutuando acima de tudo]

Essa talvez seja a canção mais leve de todo o álbum, onde finalmente depois de uma jornada turbulenta Mike encontra um pouco de paz e o controle da sua vida que ele havia perdido. Ele coloca um ponto final no passado, mostrando que chega de sofrer, de esperar pra que as coisas melhorem, e o quanto ele esperou por esse momento:

And I waited too long [Estou esperando por muito tempo]
I listened too much [eu ouvi muito]
You said what can’t be unheard [Você disse o que não pode ser ouvido]
I’m drawing a line [Estou riscando uma linha]
Enough is enough [Basta é basta]
I let you have your last word [Eu deixo você dar a última palavra]

Quando enfrentamos problemas na nossa vida, seja no trabalho, no amor, na amizade, ou quando perdemos alguém muito próximo, tendemos a recorrer a certos vícios e coisas que nos façam bem, para tentarmos recuperar a nossa autoconfiança, e voltar a nossa vida normal. Porém, nem todos conseguem chegar nesse ponto de bem estar tão facilmente.

As vezes, a escolha mais fácil é se entregar a uma profunda tristeza, pois parece tão mais fácil se deixar levar por isso, já que estamos em posição tão ruim, porque não deixar tudo pra lá?

A perda de Chester nos deixou sem chão, ficamos sem saber o que fazer, mil questões surgiram e muitas delas ainda estão sem explicação até hoje, quase um ano depois do ocorrido. De certa forma, a nossa ancora para voltarmos ao normal, já não existia, não existia lugar no mundo que nos fizesse sentir bem novamente, foram dias, semanas e meses horríveis, que com certeza nos marcaram pro resto da vida. Marcaram assim como sua obra e música. Fazem parte de quem somos e nos ajudaram a moldar nosso caráter e forma como vemos o mundo.

Post Traumatic é um álbum que tem o propósito de nos guiar através desses tempos difíceis. Ele nos ajuda, de certa forma, a superar a dor e a falta que o Chester faz, através dos olhos e coração de Mike. Essas 16 músicas não são a luz no fim do túnel, mas a mão que segura a gente através dessa dor.

Nunca haverá uma forma de nos vermos livres de vez da dor, mas as poucos aprendemos a conviver com ela, vermos a vida com outros olhos, sermos gratos por todos os bons momentos que tivemos graças a ele e a essa banda que marcou a vida de milhões de pessoas. E, aos poucos, um dia, essa dor será uma cicatriz, pra nos lembrarmos de que a vida é frágil e curta, um verdadeiro castelo de vidro, e que temos que viver cada momento como se fosse único.

Sejam generosos, sejam justos, sejam honestos, aprendam a pedir perdão, aprendam a perdoar, confrontem seus medos e peçam ajuda quando precisarem de ajuda, sem medo de serem julgados, eu tenho certeza que era isso que Chester iria querer de nós. A cada dia vamos fazer ele mais e mais orgulhoso, pois juntos somos um só contra a dor, mas sozinhos não somos nada perante a ela.

– Hiago Cerqueria

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