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Na edição de Novembro da revista inglesa Kerrang! foi publicada uma reportagem sobre o show em tributo a Chester Bennington. Alguns convidados do show, que aconteceu no Hollywood Bowl, em Los Angeles, dão depoimentos sobre o Chester e contam um pouco como foi conhecer ele. Veja o que Oli Sykes (Bring Me The Horizon), Frank Zummo (Sum41), Daron Malakian (System of a Down), Jonathan Davis (Korn), Taka (One Ok Rock), Ryan Key (Yellowcard), Machine Gun Kelly, M. Shadows (A7x) e Steve Aoki tem a dizer sobre o Chester:

Oli Sykes, Bring Me The Horizon
           Eu conheci o Chester pela primeira vez em 2014. Foi para uma reportagem de capa da Kerrang! e eu estava muito nervoso. Estava empolgado também. Eu não sabia se eu devia bancar o tranquilo ou se avançava nele. Eu escolhi a segunda opção e ele foi muito gentil e realmente muito legal comigo. 
           Nós perguntamos um para o outro várias coisas. Nós estavamos na Warped Tour naquela época e ele me perguntou como eu fazia para tocar todos os dias por 2h sem perder a minha voz. Eu contei para ele que Linkin Park foi a primeira banda que eu vi ao vivo e a razão de eu querer ter uma. Ele parecia surpreso com isso quando eu falei o quanto ele me influenciou. Ele pareceu ter gostado disso. Ele era muito legal, muito genuíno, muito calmo. Se eu pudesse voltar e contar para mim mesmo quando eu tinha 4 anos que isso iria acontecer, eu não teria acreditado.
           Naquele dia, eu relembrei de uma edição da Kerrang! em que parte da minha cabeça e meus olhos aparecem no fundo de uma foto do Linkin Park no show que eu fui. Eu chorei porque foi muito incrível, e se alguém me falasse que um dia eu estaria na capa da Kerrang! com o Chester, eu iria surtar. Foi um daqueles momentos que faz você parar e olhar para trás, para tudo que você fez, e apreciar o quanto você conquistou. 
           Eu devia ter uns 13 anos quando ouvi Linkin Park pela primeira vez, e para ser honesto, a música nunca tinha sido importante na minha vida, até aquele momento. Então eu vi um vídeo do Linkin Park e me fez pensar “isso é muito foda!”. Eu senti como se aquela música estivesse falando comigo. Foi a banda que realmente me carregou para as músicas pesadas. E dali para frente para o hardcore e metalcore, mas eu sempre acompanhava seus novos álbuns. 
           A voz do Chester foi uma grande inspiração. Ele era o benchmark, porque eu acho que não tem ninguém que soa como ele. Ele era um ícone e um cantor único. Acho que não existiu ninguém parecido antes e não acho que vá existir. Aquela mistura de melodia, pegada e agressividade é algo que eu tento buscar para mim.
           Quando eu ouvi a notícia sobre sua morte, eu estava em Los Angeles, não muito longe da onde aconteceu. Primeiro eu não acreditei, para ser honesto. Mas quando ficou claro que era real, eu me senti estranho. Eu sei que já perdemos ótimos artistas ao longo dos anos, mas nenhum teve o impacto e a influência que ele teve na minha vida. Ele como vocalista e a banda dele são os responsáveis pelo caminho que eu escolhi seguir na vida. Perder alguém que você não conhece – obviamente eu conheci ele, mas não posso dizer que somos amigos – é um sentimento muito estranho. Eu sinto falta da sua presença, mesmo que eu não o conhecesse realmente. Eu acho que é importante você sentir o luto e entender o que você e todos nós perdemos.

Frank Zummo, Sum41
           Eu conheci o Chester há 13 anos num estacionamento do Estádio do Dodger em Los Angeles, após um show de aniversário do Myspace. Foi muito legal. Ele estava muito animado com seu novo projeto, que era o Dead By Sunrise, porque o Linkin Park estava de uma certa forma numa pausa. Eu acabei me esbarrando nele em diferentes eventos em Los Angeles e um dia ele assistiu minha banda e adorou o que estávamos fazendo. 
           Nós falávamos bastante sobre fazer uma colaboração e aquilo acabou nos levando a fazer uma turnê com eles como parte do Projekt Revolution. Nós abrimos o palco principal e também fazíamos parte do set do Linkin Park, e foi muito incrível ser incluído como parte dessa produção épica. Chester e eu ficamos muito próximos, e o que todos falam sobre ele é verdade: ele era uma pessoa muito querida, que iluminava qualquer lugar que estivesse, e ele era verdadeiro. Considerando que ele era um dos melhores cantores de todos os tempos, ele era muito humilde e gentil. 
           Algumas semanas antes dele falecer, nós estávamos na Europa juntos. Nossas bandas tocaram num festival enorme na Itália. Eu notei que a banda deles iria tocar numa arena em Amsterdã, e, mesmo nós estando 9 semanas em turnê pela Europa, a gente ainda não tinha ido para Amsterdã. Então, eu falei com o Chester e ele imediatamente falou “Adorei a ideia, deixa eu falar com os caras” e depois de segundos a gente estava confirmado naquele show. Aquela acabou sendo a última vez que o vi, mas passamos um ótimo tempo juntos no show. Foi um dia muito especial, e havia muito amor no ar. 
           Quando eu encontrei com os caras do Linkin Park para o ensaio do show tributo eu disse para eles “eu queria dizer isso para o Chester, então vou dizer para vocês: ‘Muito obrigado por tudo que vocês tem feito, por minha banda e minha família. Ser parte da sua família significa o mundo para mim.'”

Daron Malakian, System of a Down
           Meu primeiro encontro com Chester foi num festival nos EUA há uns 10 anos. Eu estava no meu camarim, me sentindo pra baixo e quando ele entrou eu me senti confortável imediatamente. Apenas com seu jeito natural e alegre, ele conseguiu melhorar o meu humor naquele dia, e eu nunca vou me esquecer disso. Ele era tão positivo. 
           Ele era sempre alegre e cheio de energia, o que também corresponde com a atitude dele no palco. Ele sempre teve essa aura super positiva ao retor dele. Como artista, a qualidade e característica da sua voz faz com que eu me impressione.
           Era fácil de trabalhar com ele também. Quando eu levei a música Rebellion para o Linkin Park, ele estava muito aberto a sugestões, deixando Mike Shinoda e eu conduzir a música. No começo da minha colaboração com eles, a intenção do Mike era compartilhar alguma música comigo que eles já estavam trabalhando para eu dar minha opinião. Mas quando eu soube que eu iria trabalhar com a banda, eu fiz uns arranjos que eu imaginei que se encaixariam com eles. Antes do Chester entrar, a música tinha muito do meu estilo, e foi somente quando ele entrou com o vocal é que realmente começou a parecer ser uma colaboração como Linkin Park. Mesmo que o Mike tenha acabado cantando os versos, Chester fez os vocais da ponte. Ele tinha uma voz tão única que encaixava perfeitamente no estilo do Linkin Park, além de ser um ótimo frontman.
           Por mais que me entristece dizer isso, o Chester me faz lembrar que você nunca pode dizer o que está acontecendo dentro da mente de uma pessoa baseado na sua imagem exterior. Quando a gente tava no estúdio ou tocando, ele estava sempre animado. Eu sempre vou lembrar dele como aquele cara que conheci no camarim, que animou o meu humor só por estar presente. 

Joanthan David, Korn
           Eu lembro da primeira vez que ouvi One Step Closer – eu estava dirigindo e ela tocou na rádio e eu pensei ‘Finalmente! Isso é foda!’ eu adorei a forma como Chester cantava. Eu sempre gostei da sua voz, o quão alta e poderosa ela era, e sua melodia – Ele faz ótimos ganchos, o que é uma arte. Suas letras faziam se sentir em casa e eram muito relacionáveis. Em um nível lírico, Chester tocou em muitas coisas que as pessoas sentem, e quando você experiencia isso com a música, é uma libertação. Quando você está ajudando tantas pessoas, você pode as vezes se esquecer de você mesmo. Você é tipo um super-herói para as pessoas machucadas – nós devemos ser a prova viva de que as coisas vão melhorar. Deveria haver mais Chesters no mundo.
           Eu colaborei com ele algumas vezes. Quando eu esqueci as músicas para o filme A Raínha dos Condenados (2002), minha gravadora não em deixou cantar nelas e disse que eu que teria que usar artistas da Warner Bros, então eu escolhi quem eu queria. O Chester cantou minha músicas preferida, chamada System. Ele realmente transformou aquela faixa como se fosse dele. Ele apenas foi e arrasou. 
           Eu e o Chester também fizemos um cover de Head Like A Hole do Nine Inch Nails, que nunca foi lançado. Eu estava tendo problemas para cantar o verso, então não me pareceu certo fazê-lo. A gente estava conversando sobre isso e eu disse “Você quer vir até minha casa e fazer isso comigo?” E ele apareceu, e acabou ficando muito bom. 
           Eu entendo a depressão e tudo que o Chester estava passando. Normalmente são os que parecem mais felizes e doces que estão sofrendo mais. É uma doença terrível que pode fazer as coisas se tornarem insuportáveis. Quando descobri o que aconteceu, eu não tinha nem palavras. Eu adorava o seu sorriso. Eu estava sempre ansioso em encontrar com ele. Se a gente estava tocando no mesmo festival, ele sempre dava um jeito de me encontrar, o que eu sempre apreciava. Chester era uma jornada maravilhosa de se assistir. Eu amava aquele garoto.

Takahiro Moriuchi, One OK Rock
           Chester e eu nos conhecemos no Japão, há uns anos. Ele era um cara muito legal. Eu posso dizer pela forma que ele falava sobre a vida e a música que ele era uma pessoa muito sensível. Mesmo que a gente só tenha se visto uma vez, eu sinto que ele me ensinou muito, como artista e como ser humano. 
           Eu era muito fã do Linkin Park antes de nos conhecer. Quando eu tinha 13 ou 14 anos, eu estava no cinema e vi um comercial que tinha uma música. Era meio pesada, tinha um rap, e então tinha uma bela voz. Aquilo me deixou em choque, porque parecia ser algo inédito – e eu achei que era muito bom! Eu encontrei a música mais tarde, e descobri que era do Linkin Park. Mais tarde eu conheci Toru (guitarrista do One Ok Rock) e ele amava Linkin Park também, e a música deles foi o motivo da gente querer estar em uma banda e fazer músicas. O Chester era um ícone para nós dois. A sua voz era doida. Ele foi uma inspiração por muitas razões. 
           A gente era para fazer uma turnê com o Linkin Park. Quando o nosso gerente nos contou sobre a turnê, eu fiquei muito animado – era a realização de um sonho fazer turnê com o Linkin Park e também estava nervoso por causa da importância dessa banda para nós. 
           Eu me senti vazio quando soube que Chester tinha morrido. Eu estava num hotel no Canadá quando as notícias apareceram, e eu fiquei muito triste. Eu sou alguém que acredita que existe uma razão para tudo acontecer, então eu ainda estou tentando encontrar uma razão de termos perdido ele. 
           Se eu fosse ouvir alguma música do Linkin Park para me lembrar dele, eu não gostaria de ouvir as músicas tristes, porque isso me faria triste. Eu gostaria de ouvir algo como One Step Closer ou Somewhere I Belong para realmente celebrar o seu espírito e o cantor incrível que ele era. 

Ryan Key, Yellowcard
           Em 2007 nós recebemos uma ligação dizendo que os caras do Linkin Park queriam saber se a gente estava disposto a fazer uma turnê com eles no Japão – e obviamente dissemos sim! Nós nunca tínhamos conhecido eles, mas eles conheciam o que era o Yellowcard e queriam que a gente tocasse com eles, o que foi uma honra. Nós fomos apresentados para a banda toda no primeiro dia de turnê e eles eram muito amigáveis e carinhosos. 
           A coisa que eu mais me lembro quando conheci o Chester – e basicamente todas as vezes que vi ele depois disso – é que ele irradiava. Não teve uma vez que a banda não passou no nosso camarim para ver como estávamos ou perguntar se precisávamos de algo, e o Chester era o cara que sempre aparecia com um sorriso enorme. Encontrar um artista que você admira, que tinha poder na indústria e que era verdadeiro – mesmo que isso fosse consciente da parte dele ou não – isso te marca. Ele ficava verdadeiramente feliz de estar rodeado de pessoas, e isso foi verdade todas as vezes que encontrei com ele. 
          Eu teria amado se tivesse a chance de conhecer ele melhor. Mas eu continuo impressionado com alguém que carregou seus demônios e a escuridão da forma como ele carregou, mas mesmo assim conseguia fazer tantas pessoas felizes todos os dias. Ele era incrível em conectar milhares de pessoas, noite após noite. Você conseguia notar que ele queria ser parte de algo maior com eles. 

Machine Gun Kelly
           O Hybrid Theory foi um 3 primeiros CDs que eu tive na vida. Quando Papercut foi lançada, e aquela batida – Meu Deus! Imagine estar acostumado a escutar a trilha sonora de Nos Tempos da Brilhantina e escutar isso!
           A primeira vez que conheci o Chester foi num show surpresa na Warped Tour na Califórnia, em 2014. Eu apareci para cantar Bleed It Out e eu estava tentando me comportar da melhor forma possível, mas meus parceiros estavam na platéia e surtaram quando eu apareci. 
           Uma parte interessante do Chester era essa contradição do seu poder no palco com sua modéstia fora do palco. Ele não era tímido, porque ele sabia quem ele era, mas ele era muito gentil, legal e humilde. Em termos de talendo como músico, quando eu estava no seu funeral, um de seus amigos, uma das primeira pessoas a falar, colocou da melhor forma. Ele disse que nunca tinha ouvido alguém gritar com tanta harmonia como o Chester, o que é verdade. 
           Teve uma vez na Polônia que o Chester brincou nos bastidores, disse que toda vez que ele me via, mesmo se fosse mais de uma vez no mesmo dia, eu estaria usando uma roupa diferente. Ele então falou que ele iria melhorar o guarda-roupa dele para a próxima turnê. Naquele show, cantei Bleed It Out com eles e foi tão intimidador que quando eu terminei a minha parte, eu não sabia se era para eu ficar no palco, então eu saí e perdi a parte final. Chester estava me procurando e falou “Mas que merda?!”. Aquela foi a última ve que vi ele…
           Chester fez eu querer tirar foto com os fãs novamente. Eu era contra todo esse aspecto da fama, eu sentia que algumas pessoas apenas queriam uma foto para dizer que conheceram alguém famoso. Depois da sua morte, eu vi a internet enlouquecer com todas essas fotos de fãs com ele e eu percebi que são memórias que adoram. A forma que ele se importava com as pessoas era inspirador. 

M. Shadows, Avenged Sevenfold
           Eu apenas encontrei com o Chester algumas vezes. Minha ligação com o Linkin Park vem, na verdade, do Mike e do Dave. Mike se tornou um amigo muito próximo, então tudo isso tem sido muito estranho para mim, porque é como assistir a um amigo passar pela mesma coisa que nós passamos com o The Rev (falecido baterista do Avenged Sevelfold). Quando você perde alguém tão jovem que fazia parte integral da sua vida, você amadurece muito rápido. 
           Eu conheci o Chester no Brasil, quando a gente estava tocando no festival SWU (2010). Ele parecia tão doce, como se não tivesse nenhuma maldade. E você podia sentir isso pela vibe das pessoas. E, como vocalista e performer, ele era indiscutível. 
           Eu lembro de assistir ele no Rock am Ring e no Rock im Park, e vocês podem ver esses vídeos no YouTube – Ele não se impõe limites, ele alcança todas as notas. Ele tem tanto caráter e poder na sua voz mas ele consegue instantaneamente ir para uma música calma e cantar com tanta inflexão na sua voz. Ele era incrivelmente talentoso, era inacreditável o quanto a sua voz era boa.

Steve Aoki
           Há 7 anos eu entrei no camarim do Linkin Park para ser apresentado a toda a banda. O Chester estava com o seu tapete de yoga e fazendo uma prancha – eu achei que ele mais legal ainda por fazer prancha no camarim! Eu posso dizer que o meu ritual de malhar antes dos shows foi inspirado no Chester daquela noite! Era um sonho conhecer eles, eu era fanboy, mas ele me fez sentir como um igual e nós conversamos sobre malhar em geral. 
           Antes de conhecer ele, eu sempre imaginei isso como intimidador, alguém que eu nunca achei que iria conhecer. Mas quando eu finalmente conheci ele, ele era agradável, humilde, engraçado e era apaixonado por o que tivesse na sua cabeça naquele momento. Ele sempre se comportou dessa forma, desde o dia que nos conhecemos até nossa amizade. 
           Ele era surpreendente no estúdio, eu literalmente ficava arrepiado. Se você conseguir imaginar, o seu cantor preferido de todos os tempos cantar uma música que você produziu com uma das suas bandas favoritas, mas na vida real. Se o Chester me ensinou alguma coisa, foi que a vida é preciosa, cada momento conta, cada conversa importa. Abraçe. Compartilhe. Conecte. Ame. 

Estamos sorteando um exemplar dessa edição da Kerrang! na nossa página do Facebook. Veja o post da promoção e siga as regras, aqui. O resultado será divulgado no sábado, dia 11/11 às 16h.

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