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Mike Shinoda é um homem de muitos talentos – sua força criativa por trás de inúmeros projetos, um artista visual e designer, um pai – então sua recente colaboração A LIGHT THAT NEVER COMES com Steve Aoki não deveria ser surpresa pra nenhum de nós. RECHARGED não é o primeiro álbum remix do Linkin Park, mas já se passaram 11 anos desde o lançamento surpresa de Reanimation.

A EARMILK (Jake) recentemente teve a oportunidade de falar com Mike sobre a ampla, íntima e em constante mudança relação entre música e tecnologia, e como é mergulhar em um novo território musical.

Ei Mike, antes de começarmos, eu quero deixar você saber que vamos escrever toda essa nossa entrevista em CAPS LOCK, devido ao seu recente tweet. Espero que isso esteja OK?

Mike: (risos) Fantástico. Isso na verdade vem de uma ideia engraçada que nós tivemos sobre a estética do nosso álbum. Nós decidimos enviar todos os títulos para o iTunes em caps lock, então se você der uma olhada no Living Things, as músicas estão todas em maiúsculo, o que faz sobressair em qualquer tipo de lista.

Além disso, quando as pessoas estão lendo em seus carros, elas não ter que gritar todos os títulos das músicas, o que é muito legal.

Mike: (risos) Yeah, Nós preferimos que você não fale o nome das músicas. Se alguém falar o nome de uma das músicas eu apenas digo “Desculpe, eu não sei do que você está falando”.

Eu sempre associo os seus projetos – seja Linkin Park, Fort Minor, ou qualquer outra coisa – com tecnologia. Existe alguns debates sobre o impacto da tecnologia na produção da música, alguns positivos e outros negativos, por causa de coisas como a perda de sons específicos de regiões. Você acha que a tecnologia, em geral, é um facilitador ou um incapacitador quando se trata de cultivar novos sons?

Mike: Ah, eu acho que é definitivamente um facilitador. De fato, como muitos de nossos fãs sabem, nós escolhemos o nome Linkin Park, escrito dessa maneira, porque não conseguimos obter uma URL com a ortografia oficial. Nós queríamos o .com, e é assim que nós conseguimos. Então nós meio que estamos entrelaçados com a tecnologia desde o primeiro dia. Além disso, até agora, nós só gravamos uma fita demo analógica. Todo o restante foi sempre digital.

Você sente que a tecnologia tem ajudado vocês a avançarem musicalmente? Porque cada álbum soa muito diferente do anterior e parece que há uma progressão bastante audível. Você acha que essa progressão era inevitável? O quanto a tecnologia mudou – software, hardware, maior uso da web – tem facilitado a sua progressão artística?

Mike: Eu percebi há alguns álbuns que o truque pra mim é testar e limitar a quantidades de programas ou plug-ins ou dispositivos que eu estou usando no estúdio. Porque, eu amo aprender novas coisas, mas até um certo ponto você está gastando mais tempo aprendendo alguma coisa, ao invéz de realmente escrever música. Então, para mim, eu não sou como o Tom Morrello, onde tenho a minha pedaliera e isso é o que eu uso pra fazer tudo, ou pelo menos eu já ouvi que essa é a sua abordagem.

Eu amo a adição de um novo software. Este mês eu tenho trabalho muito com o Ableton (foto ao lado), mas eu não costumo usar ele muito, mas tem sido pelo tipo de coisas que estou escrevendo neste momento. E isso é ótimo, desde que eu não tenha que aprender a usar o Ableton e cada plug-in, igualmente com todos os outros diferentes tipos de teclados que existem por aí. Existem tantos, e quando você vai para o online, então é tipo ir para a vida selvagem. Você realmente precisa de algo para tipo agregar sua experiência. Assim como descobrir novas músicas – existem pessoas que você confia, como vocês (leia-se EARMILK), que tem passado por todos os absurdos para poder trazer coisas que nós realmente gostamos.

Do ponto de vista da produção, que é o que eu faço, desde escolher sons até que tipo de equipamento usar. E eu faço essas coisas, e eu me limito, para que eu conheça todos os meus equipamentos muito bem. Então eu sou livre para experimentar com eles, e deixar a música guiar o seu caminho. Eu não quero ir a fundo com qualquer coisa, e pensar “ah, eu quero fazer algo que soe como aquele cara”. Em vez disso, eu penso “O que é que vai me dar os sons que eu quero? Como eu posso pegar algo, pirar nele e fazer coisas que as outras pessoas não estão fazendo?”

Isso é realmente interessante – Parece que o que você está tentando dizer é que você tem que ser muito intencional, e mostrar restrições, para garantir que a tecnologia trabalher pra você, ao invés de deixá-la ditar o que você deve fazer.

Mike: Quero dizer, hoje em dia, quando se trata de qualquer material eletrônico ou digital que eu goste de usar, eu tendo a fazer meus próprios sons, ou editar eles o suficiente para que se encaixem na música que eu estou trabalhando. Se eu apenas improvisar algo no teclado e funcionar, eu vou usá-lo, mas normalmente eu preciso das minhas artimanhas para que seja o que eu estou procurando.

Falando em artimanhas – O Linkin Park sempre esteve a frente da distribuição digital, como distribuir coisas diretamente de seu website ao invés de depender de outras mídias. Eu sei que é difícil de prever onde as coisas vão parar, mas… Para onde as coisas estão indo?

Mike: Bem, o que eu gostaria de ver, pessoalmente, é que os fãs percebessem que o melhor lugar para se ter músicas dos artistas é diretamente com os artistas. Essa é uma das razões que o álbum RECHARGED veio – quando lançamos o álbum Living Things (2012) nós falamos: Se você estiver planejando comprar o novo álbum, venha para o linkinpark.com e nós iremos dar remixes gratuítos quando você comprar, um por mês, por alguns meses.

A questão é que, se você está seguindo uma banda porque você gosta dela ou gosta da sua música, e lançamento após lançamento você esta encontrando algo interessante, então a melhor coisa a se fazer é ficar em contato com a banda, através da sua rede social preferida, e obter os álbuns e músicas diretamente deles. Assim, não estará somente dando o seu suporte direto ao artista, mas também fazendo com que a conversa seja mais simplificada. Você não estará esperando por alguém, como o iTunes, mostrar um anúncio ou mostrar em um banner sobre o que é novo. Em vez disso, o artista pode alcançar você e em um segundo dizer “Hey, a nossa nova coisa foi lançada”.

Como está sendo trabalhar com o mundo da EDM, trazendo essa sua sensibilidade e experiência na composição, para um mundo onde a composição de uma música (escrita de letras) não parece ser necessariamente primordial?

Mike: A EDM definitivamente é uma abordagem diferente. Brad Delson (guitarrista) e eu normalmente estruturamos e arranjamos as músicas da banda, e nos divertimos bastante com a diversidade de opções que tínhamos na nossa frente, em termos de como estruturar boas músicas e outras coisas ao trabalhar para um álbum de remixes. Porque, uma vez que a música contém certos identificadores sonoros, isso abre portas para certas estruturas que podem ser usadas. Tipo, por exemplo – isso é completamente diferente, mas acho que é relevante – Eu estava ouvindo “Pass The Mic” do Beasty Boys outro dia, e os samples que eles usaram e o jeito que eles os organizaram. Por causa desse formato e estrutura nos vocais, permitiu-se que tudo ficasse muito louco em termos de arranjos. A batida se transforma tantas vezes, e cada som é tão original e único um do outro. Existe uma mistura de indie-rock com grandes batidas e coisas de bateria eletrônica. A batira vira tantas vezes, e isso faz com que a música fique tão emocionante.

Para mim, a consciência disso veio quando trabalhamos com o Rick Rubin, porque ele é envolvido com tantos álbuns em tantos gêneros diferentes. Suas ferramentas são tantas e tão aprofundadas que a qualquer momento ele poderia tirar algo usado em Jonny Cash, ou Tom Petty ou The Dixiw, ou Public Enemy, ou Slayer. Você nunca sabe para onde vai ir, e quanto mais você se manter aberto para esse tipo de coisa, mais você vai conseguir trabalhar com esse tipo de som tridimensional.

…esse exemplo dos Beasty Boyts é interessante, também porque parece que é compartilhado o foco com os vocais naquela música, e isso se assemelha bastante com o Linkin Park.

Mike: Sim, e esse projeto teve algo novo para nós, porque nós estamos tão acostumados a colocar vocais em tudo. Quando um monte de artistas da EDM fazem uma compilação, eles vão estender o vocal e repetir, e repetir ele. Sonoramente, o vocal se torna um instrumento, e seu ouvido sabe “Ok, eu não estou mais ouvindo uma voz, isso é um instrumento”.

…então seu ouvido pode realmente começar a vagar através da música.

Fonte: EARMILK

 

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