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Desde o falecimento de Chester Bennington, em julho de 2017, a vida de Mike Shinoda girou principalmente em torno da terapia criativa. Ele mesmo admitiu que está, mais do que nunca, se jogando mais na arte e na música, usando a auto-expressão como uma maneira de expressar o luto tanto quanto curar.

Foi essa forma de lidar com seus problemas que gerou o projeto solo Post Traumatic ano passado e a série de pinturas que acompanham o álbum, ajudando-o a encontrar luz durante os dias mais sombrios de sua carreira.

Enquanto o Linkin Park tira um tempo – necessário – seu fundador, Mike Shinoda, convidou o multi-instrumentista inglês Matt Harris e um dos melhores baterias de Israel, Dan Mayo, para trazer o seu novo som para o palco.

Antes da sua turnê europeia neste mês, Matt disse ao MusicRadar como ele acabou trabalhando com uma das mentes mais visionárias do rock e por que cantar as partes de Chester é uma grande honra que vale cada desafio…

O que você fazia antes de conhecer o Mike Shinoda?

Como muitas pessoas nas indústrias criativas, fazia muitos bicos, pegando qualquer trabalho em shows e oportunidades que apareciam. Com o passar do tempo, eu fiz muitas coisas diferentes. Em primeiro lugar, eu não me considero um guitarrista – eu nunca me apresentaria às pessoas assim. Apenas aconteceu de eu tocar guitarra! Foram vários fatores, meio aleatórios…

Ser multifuncional foi um dos grandes fatores para eu acabar nesta turnê. Mike precisava de alguém que pudesse tocar muitos instrumentos ao invés de apenas um. Eu estava na indústria da música com minhas próprias bandas por um longo tempo, tocando baixo principalmente. Eu fiz coisas diferentes com diferentes artistas, incluindo turnês, então me mudei para a direção musical.

Fiz trabalhos com o Ableton (software musical para samplers, sintetizadores, etc), fazendo toda a programação para descobrir como as pessoas projetavam os shows ao vivo.

Bem antes do Mike, eu estava trabalhando com Jack Garratt, que é um artista eletrônico/crossover britânico realmente interessante. Os shows são incríveis, não me canso de recomendar seus vídeos ao vivo. Ele é como uma banda de um homem só e toca bateria com uma mão melhor do que eu com o meu corpo todo. Ele queria uma configuração ao vivo, onde ele poderia tocar coisas diferentes e fazer loops, saltando de um instrumento para outro sem problemas…

Acabou que Mike e alguns dos caras do Linkin Park eram fãs do que ele estava fazendo e foi assim que acabei entrando no radar do Mike. Fui apresentado a ele como o cara que ajudou na configuração ao vivo do Jack. Eu conheci Mike pela primeira vez no verão passado e depois conheci os outros caras do Linkin Park ao longo do caminho. Eu e Mike começamos a conversar sobre a turnê e nos encontramos quando ele esteve em Londres fazendo o lançamento do Post Traumatic. A próxima vez que vi o Mike foi em Hong Kong, um dia antes do primeiro show da turnê!

(Image: © Chady Awad)

As partes de Chester não são apenas desafiadoras de cantar, mas também deve ter havido uma pressão extra em ter respeito e cuidado com o seu legado…

Sim, acho que você colocou muito bem ao dizer que é preciso saber respeitar… e as vezes, ter cuidado. Os fãs do Linkin Park são os fãs mais dedicados do mundo. Com tudo que aconteceu nos últimos dois anos e a jornada que Mike tem realizado, qualquer pessoa nova que entrar nesse mundo precisa pisar com cuidado.

Por exemplo, teve momentos que a gente estava em turnê com Mike e ele queria conversar comigo e com o baterista Dan Mayo – somos apenas nós três no palco – sobre qualquer nova música que a gente sentia que deveria ser trabalhada no set. Um pouco mais tarde, ele me pediu para cantar sozinho uma das músicas do Chester, talvez uma das que ele não conseguisse cantar mas que eu conseguiria…

Como você decidiu cantar a Sharp Edges?

Foi uma honra incrível quando ele pediu, mas também uma decisão complicada, então eu disse a ele que eu achava que ele deveria escolher a música porque eu não tenho o mesmo conhecimento e contexto do relacionamento dos fãs com as músicas. Eu realmente queria que ele ajudasse a me guiar, então ele me deu uma lista de cinco músicas e eu escolhi a Sharp Edges porque me senti confortável para me apresentar sozinho, sem o Mike. A primeira vez foi uma experiência tão intensa e surreal!

Quais músicas são mais desafiadoras de cantar?

Obviamente, não se trata de competir com a alcance vocal de Chester, esse nunca é o objetivo, na minha mente o desafio é fazer justiça. Os fãs virão com certas expectativas e ideias sobre o que o show irá implicar, talvez até mesmo ideias do que eles aceitam e não aceitam. Alguns fãs podem não gostar de eu cantar algumas das partes do Chester, então eu estou tentando estar do mesmo lado que eles, em vez de sentir que há algum tipo de tensão.

Suas melodias podem ser muito difíceis. Se eu não me aquecer direito, sei que vou ter trabalho com uma música tipo “Iridescent”, que tem alguns vocais altos no refrão. A música When They Come For Me é outra, mesmo que o refrão seja apenas um ‘Aaaah’, eu sei que não vou acertar sem ter me aquecido antes. E quando a Sharp Edges está no set, sei que tenho que fazer meu dever de casa – há algumas notas altas para atingir.

Como você se aquece e você teria alguma dica para alguém que esteja tentando aumentar seu alcance?

Para o aquecimento vocal, Mike e eu fazemos juntos antes de cada show. Ele tem uma gravação em seu celular que nós cantamos junto, fazendo exercícios diferentes antes de ir para o palco. Outra coisa que é igualmente importante é exercícios de respiração e aprender a usar seu diafragma.

Eu acho que eu não sou muito bom para dar conselhos, mas aqui estão algumas coisas que eu faço que parecem funcionar para mim. Eu costumava ter um treinador vocal quando comecei a aprender a usar minha voz e digo que vale a pena pagar alguém para sentar junto com você. Você pode praticar sozinho, até assistir a vídeos do YouTube, mas não é o mesmo que alguém que esteja ouvindo você sozinho e ajudando a resolver as coisas que você não consegue entender corretamente.

A pergunta pode parecer estranha mas teve algum tipo de aquecimento mental – mesmo que tenha sido para o primeiro show?

Esse show envolve palcos grandes e cantar partes icônicas de outra pessoa para um público que já as conhece e ama o modo como foi feito antes… o que é bastante estressante. Eu tive que aprender a relaxar minha mente e meu corpo e não ficar tenso. Assim que você se sentir assim, você já está na defensiva. Você precisa tirar isso do seu sistema.

Então, antes do primeiro show, eu estava fazendo todo tipo de coisas estranhas de relaxamento, bem como exercícios de flexão no chão, tentando me livrar da tensão. O Mike provavelmente pensou que eu era um esquisitão, haha! Mas se você fizer um show como este e alguém está pagando você para fazer o seu trabalho da melhor maneira possível, não importa se você parece um pouco estúpido de antemão! Saber se livrar da tensão é tão importante quando saber as escalas e fazer aquecimento.

(Image: © Chady Awad)

O que você aprendeu sobre o processo criativo do Linkin Park ao trabalhar com o Mike?

Eu não sei se necessariamente tenho uma boa resposta… com Chester, estou totalmente no lado fã. Mas aprendi muito trabalhando com o Mike como escritor, produtor e líder de banda. Uma coisa importante sobre as melodias icônicas do Chester é o quão simples elas são, até mesmo as melodias de uma nota como o refrão de Numb. É simples, mas meus Deus é muito bom!

Eles sabiam exatamente como encontrar uma melodia que combinava perfeitamente com a música, sempre coesa e que se une bem. Nunca parece partes individuais de uma música. Há muitos escritores diferentes no Linkin Park e há muita colaboração.

Você também toca violão e baixo na banda. Que tipo de equipamento você está usando?

Participar dessa turnê foi uma experiência completamente nova para mim em questão de equipamentos. Nós não usamos nenhum amplificador no palco; Mike e eu temos nossas próprias plataformas Ax-Fx. Eu nunca tinha usado antes. O legal era que Mike apareceu com essas duas caixas que tinham exatamente os sons dos álbuns do Linkin Park! Era como se o tom de Brad fosse transmitido exatamente como gravado ou ajustado levemente para shows ao vivo. “Aqui está, este é Papercut!” Isso foi muito surreal, mas super agradável.

Tenho algumas guitarras comigo; algumas são minhas, algumas Strats são do Mike e acho que algumas pertencem ao Linkin Park. Eu talvez tenha uma das PRS antiga do Brad – que é a que eu uso em Papercut. Para as músicas do Post Traumatic, eu tenho usado algumas Fenders e uma D’Angelico.

(Image: © Chady Awad)

Finalmente, para quem nunca conheceu Mike, o que pode ser dito do homem por trás da música

É difícil expressar! Ele é uma pessoa sem ego nenhum… se você visse ele e não soubesse quem ele é, você nunca imaginaria que ele é um artista que já vendeu multiplatina. Ele não é pretensioso, sempre está oferencendo ajuda e é mente aberta para a criação, uma inspiração genuína como músico e ser humano…

Ele é infinitamente criativo também, é sem parar. Enquanto estamos no ônibus da turnê, ele está trabalhando no Ableton por diversão, além de fazer as obras de arte. O cara é implacável, uma verdadeira máquina. Mas ele ama o que faz, então ele sempre tem um sorriso no rosto. A realidade do dia-a-dia de estar ao seu redor é que é super fácil e ele é como seu amigo.

E sem falar do fato de eu estar trabalhando com alguém que eu ouvi por 20 anos! Quando Hybrid Theory saiu, eu era adolescente e esse álbum era tudo pra mim. Eu adorava mais que qualquer coisa!

Fonte: MusicRadar

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