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Como cantor principal do Linkin Park por 18 anos, Chester Bennington ajudou a desafiar e redefinir as barreiras entre rock e metal. E então, ele se foi. O editor chefe Sam Coare da Kerrang! conduz a homenagem da revista Kerrang! à voz de uma geração, que se foi.

Chester Bennington era o tipo de pessoa que, quando começava a falar, você não poderia deixar de prestar atenção em cada palavra. Por outro lado, ele simplesmente não tinha outro jeito. Chester Bennington não falava somente com sua boca, mas com seus olhos, braços e pernas. Chester não se comunicava apenas com palavras, mas com seu corpo inteiro (e também com qualquer coisa que tivesse ao seu alçance). 

Mas principalmente, porque quando Chester falava, ele não falava como uma estrela do rock com mais de 70 milhões de álbuns vendidos, mas como uma pessoa comum, com pés-no-chão, do Arizona, que estava simplesmente vivendo o seu sonho que ele lutou dia-a-dia para conquistar.

“Linkin Park redefine o metal em Outubro de 2000”

Em Outubro de 2014, a Kerrang! sentou-se em uma mesa no jardim do Sunset Marquis Hotel, em West Hollywood, Los Angeles, com Mike Shinoda, a outra face do Linkin Park, a pessoa que Chester descrevia como seu “irmão”, era o único presente até então. Do outro lado da mesa, a cadeira vazia esperava pela chegada do Chester, que ficou preso no transito de Los Angeles, que é tão pesado quanto a poluição armosférica que cobre a cidade. Quando ele finalmente chegou, ele pediu desculpas continuamente, como se ele tivesse chegado uma hora atrasado. Ele estava nem oito minutos atrasado. 

O Chester Bennington que eu encontrei naquele dia, e em algumas ocasiões anteriores, foi acolhedor, gracioso e encantador ao ponto de distrair. As duas horas seguintes, ele falou sobre a jornada da vida dele – como companheiro de banda, filho, pai, marido – deixando a Kerrang!, Mike Shinoda e qualquer um que pudesse ouvir, caindo na gargalhada. Ele fazia você desejar que ele nunca mais parasse de falar. As vezes, durante esse dia em particular, eu imaginava se ele iria parar de falar. Quando ele finalmente se levantou da mesa e avisou que precisavava ir por causa de um compromisso familiar, ele só saiu depois de se oferecer a continuar nossa conversa no dia seguinte. Ele era um dos caras mais graciosos e humildes, das estrelas do rock ou não.

Mas ele era, com certeza, muito mais do que isso para muitos milhões ao redor do mundo, por muitos anos. Seu falecimento naquela quinta-feira de manhã, 20 de Julho, de um suidício em sua cada em Los Angeles, aos 41 anos, deixou o rock sem uma das vozes mais poderosas e icônicas. Deixou a música ao vivo privada de um dos cantores mais carismáticos – um showman – que conseguia fazer mesmo as maiores audiências ao redor do mundo se sentirem íntimos, como se cada palavra e cada nota fosse especialmente para você e somente você. Deixou aqueles próximos a ele sem um marido, pai, filho, colega de banda e amigo. Deixou o mundo com uma verdadeira perda.

Chester Charles Bennington nasceu dia 20 de Março de 1976, em Phoenix, Arizona. Ele era o filho mais novo dos 4 filhos de Susan. Sua mãe, foi enfermeira. Seu pai, Lee, um detetive. A família se mudou pelo estado vários vezes. Mais tarde, depois de ter fama, Chester revelou que, quando tinha 7 anos, ele foi vítima de agressão sexual por um menino mais velho, que durou por 6 anos, mas a ferida ficou com ele a vida inteira. Os pais dele se divorciaram quando Chester tinha 11 anos. Ficou em custódia do seu pai mas sentia como se não tivesse ninguém no mundo, “abandonado” por sua mãe e incapaz de se conectar com um pai emocionalmente instável, cuja atenção era voltada somente para o trabalho. Chester fechou-se em si mesmo. Enquanto no ensino fundamental, na Greenway High School, ele ficava “jogado pra lá e pra cá” e chegou a se mostrar promissor como atleta, no seu quarto ele encontrou conforto com ilustrações, poesias e, logo mais, na música. 

Ele aprendeu piano e encontrou pessoas para idolatrar, como Depeche Mode, Led Zeppelin e Stone Temple Pilots, e começou seu caminho pela música com sua banda, Grey Daze. Enquanto sua banda deu ao solitário novato “a primeira vez que senti uma conexão com alguém“, também permitiu que rapidamente tivesse relacionamentos não-saudáveis, com bebidas e drogas. Com 16 anos, Chester estava bloqueando todos os traumas do passado com um mix de LSD, cocaína, anfetamina e metanfetamina. Algumas noites, ele simplesmente bebia até apagar. Aos 17 anos, quando ele voltou a morar com a mãe, que ficou chocada com a aparência do filho e o trancou em casa numa tentativa de tentar salvá-lo.

Nos anos seguintes, Chester iria liderar o Grey Daze para crescer o sucesso da banda aos arredores de Phoenix, trabalhando em turnos no Burger King, entre ensaios e shows. Ele conheceu sua primeira esposa, Samantha, em um período em que “todos os meus pertences cabiam dentro de um engradado. Eu tinha um colchonete e um skate e era assim que eu andava por aí“. Eles se casaram em 1996. Mas o fracasso do Grey Daze em atingir o próximo nível  e conseguir sucesso em outros estados significou que os sonhos dele estavam praticamente terminados aos 22 anos. Mesmo assim, com vários de seus vícios sob controle, ele conseguiu um emprego e estava mantendo o financiamento de duas casas. Também estava assistindo escondido aulas de administração na Universidade do Estado do Arizona. “Eu tinha encerrado a música” ele falou na época “A música era uma namorada com quem eu tinha terminado.“. Mas mesmo assim, sua vocação o incomodava. Então, quando em 1999, no seu aniversário de 23 anos, um conhecido seu da indústria da música o passou uma fita demo de uma banda de Los Angeles com o nome de Xero, apesar de pensar que “seria só mais uma banda“, Chester ouviu o suficiente para dizer “virei para Samantha e disse, ‘essa é a certa.’“.

Um problema, Xero não estava tão convencido sobre ele, então quando Chester viajou 600 kilômetros para Los Angeles alguns dias depois, ele estava surpreso que o tapete vermelho não estava estendido para sua chegada. Em vezes disso, ele se encontrou no final de uma fila de candidatos. Pra piorar, seu jeito magro, de óculos, estava parecendo um funcionário de um pacato escritório, só que com uma camisa de seda de boliche, que a indústria da música imploraria silenciosamente para que ele mudasse de estilo. Com certeza não parecia um astro do rock em que se deveria apostar o futuro da sua banda.

Apesar de tudo, ainda assim, os futuros parceiros de banda de Chester ouviram uma voz que continuaria a ecoar em Arenas do mundo todo. Sobre o temperamento do cantor – “Chester era tanto quente quanto frio” Mike Shinoda disse a Kerrang! em uma das entrevistas – era refletido no seu vocal, que conseguia em um momento acalmar e ser sedutor, e no próximo instante, revirar o estômago. “O talento dele se destacou imediatamente.” Mike disse “Quero dizer, seria impossível estar com o Chester e não estar maravilhado com o seu talento natural.

O Xero tinha algumas músicas. Chester, por outro lado, tinha poesia e suas letras. Trocando seu nome para Hybrid Theory, eles trabalharam no material, fizeram demonstrações, espalharam a música pelo mundo, na esperança de uma oportunidade. Sua determinação de fazer sucesso com a banda era tanta, que durante um período ele dormia em seu carro, no chão das salas de ensaio e, quando tinha sorte, em algum sofá sobrando. “Eu estava animado em estar com caras fazendo coisas maneiras.” Chester refletiu sobre aquela época “Desde o primeiro dia, nunca ficou chato. Sempre me senti empolgado e interessado.“.

Só isso já era o suficiente para Chester decidir que era um caminho sem volta. Phoenix tinha ficado para trás. Hybrid Theory iria se tornar real. “Cada um de nós fez sacrifícios, mas Chester foi único.” disse o guitarrista Brad Delson à revista Rolling Stones em 2002, “Ele tinha tanto a perder e estava extremamente motivado. Ele falava pra gente, ‘cara, eu acho que a gente não tá trabalhando duro o suficiente.’“. “Chester sempre quis dar 100% pra tudo“, Mike disse mais tarde…

O amor é o que nos faz querer ser ser pessoas melhores” Chester Bennington

…sobre seu amigo “eu posso tentar ficar na frente do seu caminho, mas ele vai simplesmente passar por cima de mim.

Milhares de palavras, ao longo de 17 anos, foram dedicadas ao que aconteceria mais tarde. Hybrid Theory mudou seu nome para Linkin Park, mas essas palavras, não obstante, deixariam uma inegável marca no rock e no metal, ao mesmo tempo. O álbum de estreia da banda em 2000, lançado em 24 de outubro, vendeu mais de 30 milhões de copias no mundo todo. Até hoje, nas classificações mundiais, é o álbum de estreia mais vendido do século 21.

Pode não ter sido a primeira banda a misturar rap e hip hop com rock e metal – Korn, Deftones e Limp Bizkit já marcavam suas músicas com o estilo que o Linkin Park seguiria – mesmo que tenham surgido em um momento em que o rock fazia parte do mainstream; quando um clipe radiante (e o Hybrid theory teve cinco) ou um single bem escolhido poderiam alavancar uma carreira: Aproveitando essa oportunidade, o Hybrid Theory foi o álbum de metal que conseguiu entrar pela porta dos fundos do mainstream, cravou seu nome e assistiu todo mundo procurar por moletons grandes, jeans maiores ainda e correntes nas calças. Ofereceu uma sensibilidade pop que faltava no Korn e uma conexão emocional que o Limp Bizkit não conseguia dar ênfase. Depois desse lançamento, uma nova geração inteira de fãs de metal foi criada, e artistas que tocariam em bandas como Bring Me The Horizon, Beartooth, Neck Deep, Bury Tomorrow, Archtects, Of Mice & Men, e muitos outros, nasceram instantaneamente. Uma década depois, o Linkin Park tocaria o Hybrid Theory na íntegra no Download Festival. Na plateia, milhares de pessoas, de todos os tipos, estavam ali, para 37 minutos e 45 segundos de músicas.

O Hybrid Theory mudou tudo pra nós.” Chester me disse em 2014, “pra mim, foi como uma recompensa, de todos os anos que passei no Arizona fazendo músicas que nunca eram boas o bastante, até que alguém disse ‘eu conheço um ótimo cantor no Arizona e vocês deveriam trabalhar com ele’. Eu devo muito a tudo o que fizemos como banda até então, aos problemas e desafios que tivemos para fazer disso um sucesso.

Chester contou, antes de um festival, junto com Oli Sykes, do Bring Me The Horizon, para a matéria principal da Kerrang! “Pessoas que ouvem o Hybrid Theory desde crianças, hoje me dizem que a banda foi o motivo para elas entrarem no mundo da música“, e também “sua música fala comigo de uma forma que nenhuma outra faz.”, “é muito bom ouvir o quanto a musica afeta a vida deles, quando um jovem vai ao show e pensa: é isso o que eu quero fazer da vida…

Enquanto o mundo girava em alta velocidade para descobrir quem era o Linkin Park, seria através das letras de Chester que o enigma seria revelado. Um enigma abstrato que começou com Hybrid Theory e o acompanhou durante toda sua vida de trabalho.

Durante os primeiros anos da banda, ele ficou conhecido por ser reservado, defensivo e agitado nas entrevistas – “Chester definitivamente amadureceu ao longo dos anos” disse Mike Shinoda em 2014, “nas gravações ele era uma alma que se abria“. Em entrevista com a Spin em 2009, Chester explicou sua maneira de compor “Eu consigo pegar todas as coisas que podem acontecer comigo durante minha vida que me fazam ficar entorpecido de tanta dor, e tipo, ser capaz de aliviar isso através da música.

“Os caras do Linkin Park tiveram um papel especial na minha vida” Chester Bennington

Hybrid Theory, sozinho, conseguiu tocar em assuntos como depressão, paranóia, ansiedade e abuso. Em Papercut, a música favorita de Chester [do álbum] e a musica que mais resume a banda na opinião dele, ele canta sobre um “redemoinho dentro da cabeça” e sua incapacidade de “parar o que sente por dentro“. Em Crawling, música que o fez eles ganharam o primeiro dos 2 Grammys da banda, falava sobre “não ter auto controle sobre as drogas e álcool“. No Meteora, em 2003, vimos Chester atacar sua solidão, perdas e amor.
Mesmo assim, mais inspirações para compor estavam por vir. “Quando eu fico sem fazer nada, é onde me vejo sem controle e… aí as coisas ficam estranhas.“, Chester diria mais tarde. Durante o Collision Course, em 2004 com Jay-Z, tempo foi o que ele mais teve nas mãos. Divorciado de Samatha, junto com o peso de todo o trabalho que ele tinha carregado nos últimos anos, pesaram para que ele se refugiasse no álcool.

Depois de se casar novamente, no final de 2005, sua nova esposa, Talinda, e os membros da banda, o forçaram a escolher entre parar de beber ou morrer. Mais tarde, ele disse ter sido um dos piores momentos da sua vida, “cheguei no fundo do poço“, escreveu em My Suffering, para o único álbum do projeto paralelo da banda Dead By Sunrise em 2009, “não sei mais no que acreditar“. “Aquele álbum foi uma jornada por escrito do que eu estava passando naquele ano.”, contou Chester para a Kerrang! no mesmo ano. “Por volta de 2007, em Minutes do Midnight, por 18 meses estivemos reinventando a banda, respondendo quem éramos como pessoas, e, de alguma forma, sendo amigos pela primeira vez, especialmente com Chester“, contou Mike em 2014. “Ele estava mudando tanto naquele tempo, ficando sóbrio e divorciado, que ele se tornou uma nova pessoa. Tudo poderia mudar de repente, mas era muito bom ver isso. Sei que esse foi um momento em que todos reconheceram o quão incrível era o que ele estava fazendo. O via gastar tanta energia no palco, mas dessa vez ele estava gastando energia com ele mesmo, descobrindo o que era a sua vida.

Os anos seguintes, tanto para Chester, quanto para a banda, seriam marcados por transformações. Enquanto o Linkin Park abraçou uma forma nova de operar com sons experimentais que iam do nu metal, rock alternativo, eletrônico industrial ao hardrock em A Thousand Suns (2010), Living Things (2012) e The Hunting Party (2014), o próprio Chester parecia ter encontrado a maturidade, estabilidade e o bem-estar que ele tanto procurava. Ele se tornou pai por mais três vezes, incluindo as gêmeas em 2011, fazendo os últimos de seus seis filhos. A paternidade era a fonte de alegria da sua vida. Seu grande amigo, Chris Cornell, que completaria 53 anos no mesmo dia em que o vocalista do Linkin Park morreu, pediu para Chester ser padrinho de seu filho Christopher, nascido em 2005.

Ele explorou trabalhar em filmes, como em Carga Pesada em 2006 e 2009. Em 2010, no filme Jogos Mortais 3D. Seus comprometimentos com caridade só aumentavam. E, em 18 de maio de 2013, realizou um sonho de infância se tornando o vocalista do Stone Temple Pilots, uma banda que ele cresceu idolatrando. Ele ficaria na banda, estreando em outubro de 2013 com o EP High Rise, se apresentando ao vivo até novembro de 2015, quando ele anunciou sua saída da banda para se concentrar mais no Linkin Park e em sua família.
 “O amor é o que nos faz querer ser melhor.” disse em 2012. “É o que nos mantém conectados uns aos outros, é o que nos faz ter compaixão. É o que nos guia a fazer as grandes coisas em nossas vidas e é a única coisa que você tem quando não se pode contar com nada nem ninguém.

O Linkin Park tem um papel especial na minha vida.” ele me disse em 2014, quando perguntei o que a banda tinha dado a ele. “Não só para a minha carreira. Quando você cresce num relacionamento, você descobre que a banda (em si) não importa. O que importa é que nós passamos pela vida nas mais produtivas situações que a gente poderia estar.”. 
Há três semanas, o Linkin Park subiu aos palcos na O2 Arena, em Londres, para divulgar o mais recente lançamento – e possivelmente último– álbum, One More Light. Como o último trabalho com assinatura de Chester, com texturas de electropop, guarda em sua pele algumas das mais íntimas composições de Chester. Talking To Myself , por exemplo, vai de encontro a Chester tentando enfatizar “como minha esposa deve ter se sentido enquanto eu estava batalhando com meus demônios”. Já o single Heavy, foi explicado por Chester a Kerrang! na edição de Março: “Nunca fiquei confortável ou satisfeito, então o que faz com que as coisas sejam tão pesadas para mim são meus pensamentos e comportamentos, onde me pego nesses ciclos de negatividade. Há uma péssima vizinhança na minha cabeça e eu não deveria caminhar nessas ruas sozinho.

Nos últimos dias, Chester se sentiu sozinho nessas ruas, com milhões de pessoas ao redor do mundo que o amavam do mesmo tamanho que foi essa tragédia.
 Chester Bennington continua vivo através de sua esposa Talinda, e seus seis filhos, Tyler Lee, Isaiah, Jaime, Draven, Lila and Lily. Os pensamentos de todos da Kerrang! estão com eles agora.

Chester com o seu “irmão Mike. Com o seu grande amigo Chris Cornell na esquerda e colaboração com Jay-Z na direita.

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CHESTER ME DISSE QUE ESTAVA TUDO BEM ESTAR COM MEDO E COM RAIVA“. Escritor da Kerrang!, John Longbottom lembra quando encontrou o homem que cresceu idolatrando.

Em 2013, eu estava na cobertura de um casino vendo o por do sol em Las Vegas. Estava no meu lado Chester Bennington. Ele recentemente tinha substituído Scott Weiland como cantor do Stone Temple Pilots e eu fui enviado para meu primeiro trabalho pela Kerrang! em outro continente para escrever sobre isso. “Eu fui para a loja e comprei o álbum de estreia deles. E te digo, eu estive obsecado por eles desde então.” me contou Chester. Enquanto a gente conversava, ele ia se derretendo como uma criança de olhos arregalados que mal podia acreditar que, de fã de STP quando adolescente, tinha entrado para sua banda preferida. Ele estava tendo um “puta” de um momento durante a entrevista. Foi lindo.

O que o Chester não sabia era que ele não era a única pessoa que estava pirando com a ideia de estar próximo de seus ídolos. Eu nunca contei isso pra ele, porque um cara de 25 anos de idade estava tentando ser profissional, mas eu tinha 13 anos quando eu peguei o Hybrid Theory. Foi o primeiro álbum que comprei e eu coloquei pra tocar no meu quarto, enquanto eu estava deitado no meu carpet.

Quando adolescente, a voz de Chester me falou que era tudo certo estar confuso, assustado, bravo, chateado. Ele me falou que estava tudo bem ser eu mesmo. E, de repente, aqui estava nós, em Las Vegas. Nós dois tendo o momento ‘como eu vim parar aqui?!’. Foi surreal. 

Neste momento, eu estou visitando meus pais. Estou no quarto em que eu cresci e eu consigo me ver com 13 anos, deitado no meu carpet ouvindo Hybrid Theory, definindo o rumo para o resto da minha vida.

O rock pode e vai mudar a sua vida. A música vai te levar para lugares que você pensou que nunca iria. E a minha jornada começou com Linkin Park. 

Chester, do garoto de 13 anos que não tinha como dizer, do cara de 25 anos que não conseguiu dizer, e agora, do meu eu de 29 anos, devastado, que não poderei dizer: Muito obrigado. Por toda uma geração que você defendeu, nós sentimos muito por não podermos te defender. Nós seremos para sempre gratos pelo que você nos deu. Espero que a gente te deixe orgulhoso.

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MÚSICAS DE AUTORIDADE.
James Hickie, escritor da Kerrang! lista as 10 melhores músicas do mais notável vocalista.

1. IN THE END: Apesar de estar num álbum que vendeu milhões de cópias e ser a música mais tocada nos show do Linkin Park, você nunca ouve In The End o suficiente. Do momento que Chester calorosamente canta ‘It starts with one…’, até o fogo na sua voz irritada ao gritar as palavras ‘I put my trust in you, pushed as far as I can go’, é uma performance arrebatadora– e  você escuta lembrando do vídeo, que Chester e seus colegas estão numa torre com baleias voadoras no fundo.
Encontre em: Hybrid Theory (2000)

2. SYSTEM: A trilha sonora de um filme de vampiros em 2002 que estrelava Jonathan Davis pela primeira vez sem o Korn. Mas regras contratuais impediam que o cantor performasse as músicas que tinha escrito, então ele chamou alguns amigos– incluindo Marilyn Mason, David Dramain do Disturbed e Chester – para ajudar.  Dado quem escreveu a música, não seria surpresa que Chester soasse como o vocalista do Korn– apesar de mostrar o quão versátil era a voz de Chester e que ele era equivalente ao Titã do gênero.
Encontre em: Queen of the damned: Music from the motion Picture (2002)

3. NUMB: Muitos associam essa música a Chester. O organista do LA Dodgers homenageou o vocalista num jogo recente de Baseball, arrancando elogios da plateia. Uma versão da música acapella foi disponibilizada online só nos mostra o poder da sua voz e também nos lembra do talento formidável que perdemos.
Encontre em: Meteora(2003)

4. BREAKING THE HABIT: Apesar do assunto, Breaking The Habit não é apenas sobre os problemas de Chester– Mike Shinoda escreveu sobre um amigo dele. Quando foi cantada por Chester, um homem que teve seus demônios bem descritos, e que chorou quando leu os versos porque estavam descrevendo suas próprias experiências, faz dela uma música de fato, muito poderosa.
Encontre em: Meteora(2003)

5. P5ING ME AW*Y: Essa versão especial da música do Hybrid Theory foi gravada na turnê Summer Sanitarium em Agosto de 2003, onde o Linkin Park dividia o palco com Metallica, Limp Bizkit, Deftones,
e Mudvayne. Chester pergunta quantos músicos há na plateia “Sejam persistentes e acreditem em vocês mesmos” ele disse “e um dia vocês estarão aqui em cima conosco”. O desempenho dele nessa música, em particular na linha “O sacrifício é nunca saber por que eu fico” seta o nível lá em cima para os músicas que estão na plateia.
Encontre em: Live In Texas( 2003)

6.What I’ve Done: Apesar de ser produzido por Rick Rubim, o Minutes To Midnight (2007) foi o momento que o Linkin Park começou a mudar seu padrão musical. O primeiro single What I’ve Done é, sem dúvida, uma música tradicional do Linkin Park. Traz um vocal magnífico de Chester que alterna entre o calmo e duro como o aço, quando declara: ‘Eu vou enfrentar para mudar o que me tornei’. Apesar de não ser a melhor música da banda, foi a que teve mais sucesso comercialmente.
Encontre em: Minutes To Midnight (2007)

7. GIVEN UP: Indiscutivelmente a faixa mais punk que o Linkin Park já fez, esse brilho do Minutes to Midnight é como uma fera traiçoeira. Faz a gente pensar que tudo está bem, mas os vocais cheios de garganta de Chester nos entrega uma mensagem menos positiva. ‘Pensei que estivesse focado/Mas estava assustado’, ele admite. Antes de terminar com o que soa como uma súplica: ‘Me diga que porra que há de errado comigo’.
Encontre em: Minutes to Midnight (2007)

8. MY SUFFERING: Ou Of Ashes, o único álbum do projeto paralelo Dead By Sunrise, foi escrita num momento muito difícil para o vocalista. Essa música é sobre tudo o que Chester representou – como sempre, tornando arte a sua escuridão. A mensagem é dolorosa, mas a energia da música é positivamente ávida.
Encontre em: Ou OF Ashes (2009)

9. HUNGER STRIKE (Com Chris Cornell): Chester era muito próximo de Chris Cornell, ele era padrinho de seu filho e cantou uma versão de Hallelujah no funeral de seu amigo. Na turnê Projekt Revolution, em 2008, os dois colaboraram numa versão dessa música do Temple Of The Dog. Originalmente é um dueto de Eddie Vedder do Peral Jam e Cornell. Nessa versão, Chester canta a parte de Chris e Chris a de Eddie. Numa áspera coincidência, Chester morreu no dia em que Chris completaria 53 anos.
Encontre em: YouTube

10. ONE MORE LIGHT: A faixa título do controverso sétimo álbum do Linkin Park foi escrita para um amigo da banda que morreu de câncer. Uma bonita homenagem que mostra um dos mais afetivos vocais de Chester, a canção é sobre como todas as vidas importam, com Chester anunciando ‘Quem se importa se mais uma luz se apagar/ num céu cheio de estrelas’ antes de responder, ‘Quem se importa quando o tempo de alguém se acaba?… Eu me importo.
Encontre em: One More Light (2017)

Capa da revista Kerrang!

Fonte: Revista Kerrang! edição N1691.

 

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