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Teoria da evolução: 18 anos do seu lançamento, o álbum que definiu uma geração finalmente ganha a maioridade. Ao fazer um brinde ao Hybrid Theory, Matt Allen da Kerrang! conta segredos nunca antes ouvidos sobre o álbum que não iria mudar só a vida do LINKIN PARK, mas de todo o cenário do rock…

Toquem como tocamos em 1999!“. Quando o Linkin Park subiu aos palcos no Download Festival em 2014, para tocar o seu álbum de estreia na íntegra – do início ao fim na ordem correta – o céu estava escuro e brilhante, a multidão agitada e apertada na parte da frente do palco. O álbum consiste em uma mistura de guitarras barulhentas e melódicas, com partes de hip-hop e confissões reveladoras. 

Nós temos visto bandas que, quando eram crianças, ouviam nossas músicas quando lançamos o Hybrid Theory” disse Chester Bennington a Kerrang! no dia dessa apresentação lendária, na Inglaterra. “Agora, eles são bandas que estão fazendo músicas que eles estão inspirados em fazer.

Enquanto o dia 14 de Junho deixou uma vibração rouca – A banda tocando Hybrid Theory na ordem, desde o início Papercut até a última música Pushing Me Away – Poucos lembretes eram necessários para mostrar como o álbum de estreia do Linkin Park era, criativamente e comercialmente, um sucesso. Agora fazendo 18 anos, nenhuma outra banda moderna poderia alcançar os números do Hybrid Theory. No ano de lançamento, em 2000: vendeu 30 milhões de cópias em todo o mundo, e se tornou a maior venda de um álbum de rock do século 21. O último álbum de estreia a ter dominado o rádio, antes disse, foi de certa forma o Appetite for Destruction do Guns N Roses, em 1987. 

Engraçado que, durante a sua gravação, o Linkin Park enfrentou uma crise de identidade. Antes de fechar o acordo com a gravadora Warner Brothers, o grupo mudou a identidade de Xero para Hybrid Theory. Em 1999, cantores participaram de uma audição depois da saída do vocalista original Mark Wakefield. “Ele não queria ser cantor, não estava em seu DNA.” disse o rapper, compositor e tecladista Mike Shinoda, em 2017. Chester Bennington – 40 kilos, magro, óculos retangulares, bizarro, roupas horríveis – havia se mudado de Phoenix/Arizona para Los Angeles, de tão grande que era a sua determinação para fazer parte desse projeto.

Algo especial estava acontecendo.” disse Chester sobre a sua mudança de cidade. O restante da banda tinha a mesma opinião, Mike, o guitarrista Brad Delson, o baixista Dave Farrell, o baterista Rob Bourdon e o DJ Joe Hahn. Em seguida, trabalharam no estúdio, o som que era uma mistura de riffs trash, rap, rock melódico e hip-hop. Essa fórmula já havia feito parte do mainstream em vários momentos, graças a bandas como Limp Bizkit, Deftones e Korn. Mas o Linkin Park começou a encontrar algo mais harmonioso, letras que falavam das cicatrizes da alma, mais poderosas. E o combustível deles era Chester Bennington. “Nem ossos quebrados param esse cara.” disse Mike. 

Uma série de forças entravam em jogo enquanto eles apresentavam as amostrar e demos para as gravadoras. E foram várias vezes antes de eventualmente conseguirem o contrato com a Warner Brothers. Chester dizia que algumas pessoas das gravadoras eram hostis ao que eles estava produzindo “algumas pessoas nos odiaram.“. O atrito começou quando a Warner Brothers assinou um contrato com outra banda também chamada Hybrid, que consideravam internamente com uma perspectiva melhor de sucesso, e forçou a banda a mudar de nome. Uma vez que a banda agora com nome de Linkin Park começou a gravação do seu álbum de estreia, com o produtor Don Gillmore (Pearl Jam, Good Charlotte, Temple Of The Dog), no estúdio NRG Recording Studios em Hollywood, ouve até conversas que o grupo deveria diminuir a influência criativa de Mike Shinoda. Foi falado para o Chester “Você é o talento da banda, você deveria fazer um álbum de rock, não precisa de rap, você não precisa do restante dos caras.” 

Vão se f*der” Chester disse. “Estão falando sério? Eu acabei de entrar nessa banda e vocês estão falando para eu começar um complô contra a pessoa que escreve todas as músicas? A banda É DELE. Se ele pudesse cantar, eu não teria uma vaga. Seus idiotas, qual é o problema de vocês?“. Quando foi então sugerido “um cara do reggae”, Matt Lyons poderia ser instalado na banda e que, talvez, Mike pudesse fazer um rap com estilo similar ao Fred Durst do Limp Bizkit Fred Durst, uma parede de desconfiança foi erguida pelo Linkin Park. “Estamos no mesmo planeta aqui?” perguntou Chester. A banda se manteve firme, até sugerindo que a gravadora poderia desfazer o contrato se eles estivessem se sentido desconfortáveis com o estilo de música deles. 

A gente não tinha nada.” disse Mike. “A gente tinha um contrato com a gravadora que dependia inteiramente do fato de nosso agente gostar ou não do álbum que iríamos fazer e [Chester] acabou de dizer ao nosso agente ir a m*rda. O resumo disso é que todos nós nos mantivemos firmes e nosso produtor, Don, ficou no meio dessa briga.” Mas o Linkin Park sabia que eles iriam fazer algo grande, Chester tinha fé. “Quando você acredita em si mesmo, você pensa ‘Eu sou bom pra car*lho!, eles não estão vendo porque estão cegos…’ esse era o tipo de determinação que a gente tinha.“. O truque, durante a criação do Hybrid Theory, foi trazer o restante do mundo para o seu lado.

Para alguns membros do Linkin Park, a criação do álbum de estreia ocorreu durante um período de desconforto doméstico. Mike escreveu a demo de In The End no estúdio em Hollywood, cercado de “vendedores de drogas e prostitutas.”. Chester, que ainda estava sem um lar permanente depois de se mudar para Los Angeles, estava pulando pra lá e pra cá, em camas improvisadas, dormindo no sofá da casa dos colegas de banda, no local de ensaio ou até mesmo em seu carro quando as coisas estavam ruins. 

Eu estava rindo.” ele disse depois “eu não estava pensando em ‘Oh Meu Deus, o que eu fiz comigo mesmo?’ eu estava mais para ‘isso é doido pra caramba. Eu estou em Hollywood, ensaiando com uns caras que eu não conheço de verdade e fazendo a melhor música que já fiz na vida.’

Don Gilmore tinha bastante trabalho a fazer, e, enquanto estava fazendo os retoques finais para o álbum de Good Charlotte, ele viu o potencial nas demos enviadas pelo Linkin Park. “Eu achei que eles eram muito bons… mas ainda havia trabalho a ser feito. Eles não soavam incrivelmente bons“. De acordo com Chester, o produtor só havia gostado de duas demos – Points of Authority e With You. “Nós basicamente tivemos que escrever um novo álbum em dois meses.” ele falou “Nós ficamos o tempo todo na casa do Mike e escrevemos o álbum.

Para Don, entretanto, escrever pesadamente faz parte do processo de composição. “Eu pressionava os caras para fazerem as coisas e eles faziam.” ele disse, falando a Kerrang! hoje “Eu pressionava, eles faziam. Eu pressionava mais ainda, eles faziam mais ainda, então eu pressionava ainda mais…. Esse era um diferencial dessa banda com relação as outras bandas que já trabalhei. Eles pensavam ‘Ta bom, seu babaca, nós vamos melhorar’ e eles realmente entregavam. Foi isso que fez o álbum ficar tão incrível.

Musicalmente, também teve dois fatores determinantes no Linkin Park – Mike Shinoda sendo o primeiro. “Eu não sei o que passa na cabeça dele.” disse Don “Ele cria varias coisas diferentes – ele tem essa coisa própria.” A outra era a voz única do Chester, uma mistura de harmonia comovente e raiva visceral. “Eu lembro quando ouvi a voz do Chester pela primeira vez. Eu pensei, se eu conseguir fazer esse cara cantar assim no álbum, nós temos a chance de fazer algo grande.

O Linkin Park pode ser ótimo e estimulante quando o Chester canta num tom médio, realmente legal. Mas então, ele consegue ser brutal e pesado. Essa é uma das coisas mais incríveis sobre eles. Mas eu não sei se a banda estava confortável com isso. Eu acho que eles se viam como uma banda tipo o Incubus – mais eletrônica. Uma vez que ouvi o Chester cantar da forma que ele era capaz de cantar – agressivo – Eu aconselhei pesadamente que ele deveria cantar assim no álbum. Poucas vezes me arrepiei em estúdio, com Chris Cornell foi uma das vezes. Eddie Vedder foi outra. E Chester – grandes tempos.

Durante o processo de composição, diversas influencias foram introduzidas. Mike, inspirado por LL Cool J, Beastie Boys e run DMC, escrevia versos desde os 12 anos. A harmonia de Chester se encaixava perfeitamente. “Eu queria alguém na banda que tivesse a mesma paixão pelos vocais melódicos do que a paixão que tenho pelos vocais de rap.” disse Mike.

Alguns cantores, quando eles conseguem um contrato com uma gravadora, eles contratam um treinador/técnico.” disse Don “Chester não precisava de aquecimento. Ele sempre brincava e ria sobre isso. Ele apenas dizia ‘Vamos lá!’ e ele já estava pronto. Eu notei isso com cantores realmente bons. Chester estava sempre cantando. Mesmo na sala de estar, ele estava cantando e fazendo graça de várias coisas. A voz era ele. Não era apenas um instrumento, era parte dele.” 

A combinação da harmonia com o pesado iria provar ser a força por trás do sucesso do Hybrid Theory. Na medida que a banda começou a formular as músicas, foram adicionando a guitarra de Brad Delson, que adorava a guitarra super-agressiva e melódica de Kurt Cobain no Nirvana.

Joe estava na sala ao lado.” disse Don. “Ele ficou lá por semanas e nós fomos checar ele, ‘ei cara, o que você está fazendo aí?’ ele tinha esse riff estranho – colocamos como intro da Runaway, é a intro que dura a música inteira.

Foi a conexão entre Chester e Mike que fez, eventualmente, o sucesso do Hybrid Theory, relembra Don. “A banda estava se acostumando com o Chester. Mas o Mike era a ponte. Ele gostava do Chester e eles trabalhavam bem juntos.” No estúdio, o passado de Chester – vício em drogas, problemas na família e abuso sexual – foi a base para uma série de hinos sobre desespero, descarregamento de emoções, alienação e escuridão, como One Step Closer, Crawling e A Place For My Head. “Não existia espaço para a timidez.” Mike contou para a Kerrang! em 2008. “Algumas de suas letras eram ligadas esses assuntos [o abuso sexual], então quando eu e ele conversávamos sobre as músicas, ele me contou sobre isso. Foi uma forma estranha de nos conhecermos, mas foi assim que aconteceu.

Ele era bem direto sobre isso.” disse Don. “Não era segredo.” depois do lançamento, Chester relembrou que o produtor estava ansioso para trazer um pouco mais de luz para o conteúdo emocionalmente pesado do Hybrid Theory. “Chegou um ponto que Don falou para nós: ‘eu não quero ouvir sobre os seus problemas!’ Então, mesmo que isso tenha magoado a gente, nós tentamos balancear as partes ‘coitado de mim’ e partes com entretenimento.

Algumas vezes, o acúmulo da raiva e frustração ficavam evidentes no estúdio. Tendo estabelecido a One Step Closer, o primeiro single, a frustração e raiva tornou-se clara no estúdio. A banda estava ansiosa, embora houvesse algum debate se ela soaria melhor como um instrumental. Eventualmente, Mike e Chester conversaram com Don sobre um refrão super agressivo liricamente somado com as guitarras. Chester queria gritar as palavras “Shut up when i’m talking to you” com o máximo dos seus pulmões. “Tudo era tão agressivo“, disse Brad, “Ele estava liberando toda a raiva sobre o sentimento de não ser ouvido. Eu honestamente não sei explicar o que tem naquele riff que as pessoas se conectam tanto, mas eu sei sempre que a gente toca ela ao vivo, ela é uma das nossas músicas mais fortes.

Para capturar melhor a voz visceral do Chester, Don colocou-o em uma “pequena fortaleza, uma caverna” – um espaço na sala principal do Estúdios NRG, onde o microfone conseguia capturar um tom seco e meio mórbido. “Quando o Chester cantava a parte ‘Shup up when I’m talking to you’ ele literalmente destruía aquela pequena cápsula que a gente construía. Ele batia os braços contra as coisas. Ele colocava a coisa toda para baixo. Ele fazia isso rápido e muito intenso… eu ficava ‘Caramba!’.

A banda também juntou os pedaços de In The End. Foi escrita por Mike em uma madrugada e ele tocou para o Rob. “A gente sabia que era uma música que estava faltando.“. Mas houve um pequeno porém: Chester não estava convencido. “Eu não gostava muito dela no começo” ele disse. “Eu gostava muito mais da Points of Authority e a By Myself… na verdade, eu também não gostava muito de One Step Closer! Eu achava ela meio boba. Mas isso só serve para mostrar o quanto eu entendo o que é uma música boa (risos). Depois, colocando In The End e One Step Closer no álbum, e adicionando músicas como Pushing Me Away, realmente nos ajudou a mostrar ao mundo o quanto somos versáteis na nossa habilidade de compor.

Na medida que o Hybrid Theory estava ganhando os retoques finais, até mesmo os mais céticos da Warner Brothers estavam impressionados depois de vários visitas nas sessões de gravações. “Nós continuamos a fazer o que queríamos fazer quando nós criamos o álbum.” disse Chester. Mike estava aliviado que muitas das dúvidas sobre a sonoridade do trabalho deles estavam sumindo. “Nós criamos confiança na gravadora, uma vez que a música estava quase pronta.” ele disse. “Nós podemos falar por horas sobre as pequenas histórias de quando nós fizemos o álbum, momentos de incerteza ou como as coisas poderiam ter dado errado, esse álbum provavelmente foi o mais incerto por causa de todas essas coisas em jogo.

E ainda assim, o Linkin Park não estava cheio de confiança na véspera de lançamento do seu álbum, em 24 de Outubro de 2000. O Dave esperava vender 3.000 cópias. Chester, foi mais alto e chutou 8,000. “Minha reação foi de pânico.” disse o baixista em 2008. “Você tem que deixar suas expectativas altas, mas você não quer ser estúpido.

Na sua primeira semana, o Hybrid Theory vendeu 50,000 cópias e atingiu o número 29 nos charts da Billboard. O sucesso do Linkin Park estava apenas começando e mais tarde se tornariam uma das maiores bandas de uma geração. Shows eram vendidos em apenas um dia, fizeram 4 singles para o Hybrid Theory, One Step Closer, Crawling, Papercut e In The End. Mas o lançamento não foi apenas uma capsula do tempo: seguindo a morte por suicídio de Chester, em 20 de Junho de 2017, o Hybrid Theory teve um pulo nas vendas mais uma vez. No seu 18 aniversário, sua presença ainda está vívida. “Por ser um álbum de rock pesado, e ser um dos maiores álbuns de estreia de todos os tempos, é loucura.” disse Chester em 2014, em entrevista para o Download Festival. “Foi porque nós fizemos as músicas que nós gostaríamos de ouvir.

Mesmo com toda a crítica positiva e o sucesso comercial, o Hybrid Theory teve um ou outro problema pelo seu caminho. Rumores surgiram que o Linkin Park era uma construção artificial, uma boy band de new metal, criada pela gravadora – o argumento era que eles eram muito bons para ser verdade. “Algumas pessoas nos odiavam” disse Chester. “Eles disseram ‘Quem é essa m*rda de Backstreet Boys rockeiros? Olhem pra essas crianças brancas cantando e fazendo rap sobre como a vida é difícil…’. Eu senti que eu tinha que me defender contra essas coisas, nós tivemos que lutar a partir daquele momento.

Para a banda, no entanto, o Hybrid Theory era um momento de validação, a confirmação de que eles poderiam seguir o coração e fazer sucesso. Essas coisas fora da orbita deles não tinha importância. Também significava que fazer a música que eles queriam era uma rota para a realização criativa. O grande público nos shows também ajudava. As mudanças de sons deles mais tarde virariam um grande debate entre a legião de fãs, primeiro com o remix de Hybrid Theory em 2002 (Reanimation) e depois o retorno com o outro álbum original em 2003 (Meteora). Mais tarde, o eletrônico de A Thousand Suns (2010) e as batidas pops do álbum One More Lighy (2017) foram recebidos com diferentes níveis de entusiasmo. Mas a força para as suas mudanças sempre foi por causa do grande sucesso do Hybrid Theory: ele proporcionou a liberdade criativa.

O Hybrid Theory definitivamente mudou várias coisas.” disse Chester. “Foi loucura. Aquele álbum foi como uma reivindicação. Eu não sei sobre os outros caras da banda, mas nós tivemos que ouvir muita besteira. Mas não dentro do grupo, porque fazer parte do Linkin Park tem se mostrado bem-afortunado, tem sido significante, e também é o relacionamento mais produtivo que eu já tive com qualquer grupo de pessoas em toda a minha vida. É algo grande!

Eu realmente devo muito do que fizemos como banda desde o Hybrid Theory, devido a todas tentativas, erros e acertos em fazer este álbum um sucesso . É realmente muito especial fazer parte de algo que tem sido importante pra muitas pessoas.

Fonte: Kerrang! Edição K1745 | Tradução e Adaptação Linkin Park Brasil

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About The Author

Fã em tempo integral e criadora de conteúdo nas horas vagas, meu hobby preferido é escrever sobre Linkin Park e conhecer novos fãs. Tive a oportunidade de ir em 10 shows do Linkin Park, sendo o primeiro em 2004 no Morumbi e tive a oportunidade de ir em 3 do Mike Shinoda, na turnê do Post Traumatic.