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O G1 disponibilizou uma matéria que fala sobre a transição de gêneros pela qual o Linkin Park passou ultimamente, novas parcerias, álbum novo e mais.
Conta também com uma entrevista feita com Chester. Para ele, o rock “está sendo destruído por esta imagem suave e publicitária”.

 


 

 

Quando começou a gravar seu sexto disco, a ideia do Linkin Park era seguir o som eletrônico dos dois álbuns anteriores, e até se arriscar no pop. O resultado, “The hunting party”, é o contrário disso, promete a banda. A volta ao hard rock com intervenções de rap é resultado da visão pessimista do cenário atual, explica o vocalista Chester Benning ao G1. Para ele, o rock “está sendo destruído por esta imagem suave e publicitária” do que o estilo deve ser.

“São coisas que alguém do escritório de contabilidade ouviria, colocaria no jardim para ouvir com seu filho depois de trabalhar, para ficar com a criança enquanto ouve rock. Não é bom, é deprimente”, diz o cantor. “São músicas que eu não ouviria sem sentir vergonha. É diluído e infantil”, adjetiva.

Chester não nomeia os inimigos, mas o contexto do lançamento dá pistas sobre o discurso. O Linkin Park foi um dos últimos grandes fenômenos de venda do rock, no começo da década passada. Eles foram associados ao nu metal, mistura de hard rock e rap. Passado o auge desta vertente, as bandas de rock que mais de destacaram nas paradas fazem músicas suaves, abertas ao pop e à eletrônica, como Coldplay, Maroon 5, Fun e Imagine Dragons.

“Estamos em posição única de fazer um disco que ninguém faz. A ideia inicial até era fazer algo mais electro. Mas somos também muito bons em hard rock”, diz o imodesto Chester.

Após abusos e drogas
Chester teve problemas com álcool e drogas na adolescência. Ele também já contou que sofreu abuso sexual de um amigo mais velho. Os infortúnios juvenis inspiraram letras raivosas e negativas como “In the end”. Agora que ele é um artista bem sucedido, casado, com a vida ganha. Como se inspirar para letras que façam jus ao som nervoso ao qual retorna? “Boa pergunta. É uma questão de perspectiva Tenho quase 40 anos. Não digo ‘foda-se a sociedade’ por não entendê-la. Agora digo porque eu a entendo! Sei o que está fodido no mundo.”

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Chester é pai de seis filhos. As angústias adolescentes deram lugar a dilemas da paternidade. “Como pai e rockstar, eu fiz merdas que eu nunca quero que meus filhos façam. Eu choraria se os visse passar pelas situações por que passei. Sei que há hipocrisia em ser adulto e dizer para seu filho ‘não faça isso’, e aí ficar bravo por eles não te ouvirem e ferrarem a vida deles. Mas é diferente de ser uma criança achando que o mundo não faz sentido. Tudo é perspectiva.”

Mesmo mais maduro, o músico diz ter raiva suficiente para as letras, sem forjar antigos dramas da juventude. Em “Guilty all the same”, com o rapper Rakim, sobra dedo do meio em riste para a TV, cidadãos conformados e gravadoras que tentam enquadrar artistas. “Nosso objetivo não é recuperar aquela ira adolescente. Quero fazer músicas que toquem os adolescentes mas também cantar sobre algo que faça meu vizinho dizer: ‘É mesmo, isso é uma merda, me irrita muito também!’”, explica.

Stone Temple Pilots
Chester realizou em 2013 o sonho de cantar com os Stone Temple Pilots. Ele gravou o EP “High rise” com a banda veterana, no lugar de Scott Weiland. Ele volta ao Linkin Park com duas lições. “Cantar com eles aumentou meu alcance vocal. Tive que me esforçar. Sempre tentei ampliar minha voz, a vida toda, mas não conseguia. Já estava conformado. Mas no Stone Temple Pilots fui obrigado a forçar, cantar mais grave. Hoje consigo alcançar tons mais acima.”

O outro aprendizado que Chester levou do Stone Temple Pilots é não repetir as famosas brigas da banda (vide o vaivém com Weiland). “É uma jornada dura para aqueles caras. Isso me mostrou como é bom estar no Linkin Park. O que temos é especial. É única a maneira como nos comunicamos, lidamos com dificuldades, cuidamos do sentimento um do outro. [No Stone Temple Pilots] vi como as coisas podem desmoronar. No Linkin Park não preciso lidar com essas maluquices. Só com música e com ser um bom pai”, diz.

Amigos de peso
A cara mais roqueira do novo disco condiz com seus convidados. Além de Rakim, “The hunting party” conta com participações de Daron Malakian, do System of a Down, em “Rebellion”, Tom Morello, do Rage Against the Machine, em “Draw bar”, e Page Hamilton, do Helmet, em “All for nothing”.

“Estávamos em um impasse coletivo na gravação”, admite Chester. “Então ligamos para eles. Foi incrível, eles estavam empolgados. Eu estava lendo versos do Rakim hoje. Ele é maluco. É impressionante como consegue fazer aquilo. Não se as pessoas conseguem apreciar a complexidade do que ele faz. É um gênio. Todas as participações saíram muito boas, colocaram a banda em uma situação mais produtiva que antes”, comemora.

Matéria por Rodrigo Ortega (G1 – São Paulo)

 

 

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