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Antes do início da tour para promoção do álbum “Post Traumatic”, Mike Shinoda concebeu uma entrevista incrível ao site alemão Unicum, ele falou sobre a morte do Chester, o processo de luto ao longo do tempo e dentre outros assuntos interessantíssimos. Confira:

Unicum: Mike, quando você decidiu que a morte de Chester Bennington fosse para o lado artístico?

Mike: Muito breve. Foi óbvio que para mim teria que ser dessa maneira. Não havia outra opção para eu lidar com o que aconteceu. Arte sempre foi a coisa que me manteve firme em tempos difíceis. Seja através da música ou da pintura.

Unicum: Isso acontecia em toda sua vida?

Mike: Sim, eu me sinto seguro quando estou desenhando, pintando ou escrevendo música. É como se fosse um mundo paralelo para mim. Mesmo quando eu ainda era uma criança, eu costumava fazer isso para escapar do mundo quando eu tinha problemas. Isso sempre foi a melhor maneira de me curar, muito melhor do que assistir filme ou qualquer outra coisa. Criatividade é muito precioso. Eu queria que mais pessoas acreditassem em si mesmas e na habilidade delas de criar algo com suas próprias mãos. Você não precisa ser Rembrandt ou algo do tipo para se sentir forte após criar algo você mesmo.

Unicum: Você fez terapia psiquiatra após a morte de Chester?

Mike: Bem, não. Eu estava honestamente pensando sobre isso, mas eventualmente eu não quis ir para um psicólogo. Eu tenho uma rede network de amigos muito boa, na verdade, algum deles são psicólogos. Obviamente eles me apoiaram muito. Muitos dos meus amigos são muito expertos e sensitivos. Eles me ajudaram muito.

Unicum: Você pode nomear alguém?

Mike: Por exemplo Rick Rubin. Ele é a pessoa que literalmente viu tudo em sua vida. Ele tem um grande espirito e não perde tempo com coisas desnecessárias em uma conversa. Rick ajudou a gravar algum de nossos álbuns. Ele conhecia Chester muito bem, claro, ele sabia que Chester sempre sofria com a depressão. Nós falamos que geralmente você vê que, quando uma pessoa sofre com uma depressão realmente pesada, elas não se sente bem em sua própria pele. Com Chester era completamente diferente. Ele sempre teve um bom relacionamento com seu “eu” interior. Nós então percebemos que nós não chegaríamos a respostas. Obviamente eu fico me perguntando “por que?”. Mas ninguém vai conseguir me contar, eu sou um dos melhores amigos de Chester, mas eu nunca irei entender do porque isso aconteceu.

Unicum: Alguns meses antes de sua morte, nós encontramos Chester em Berlim e falamos com ele sobre sua saúde mental. Ele estava totalmente aberto para falar sobre seus problemas, inclusive sobre álcool, sua raiva e sua ansiedade.

Mike: Eu sei. Ele foi uma pessoa realmente aberta o que é totalmente incomum para pessoas com problemas mentais. Ele foi tão honesto e estava vulnerável. Ele estava sofrendo por anos com esses aditivos. Isso foi cheio de altos e baixos. Durante o trabalho para criação do álbum “One More Light”, ele estava em uma fase muito ruim. Mas sempre achamos que as coisas iriam melhorar. Haviam muitas pessoas que apoiavam ele, mas também havia muitas pessoas que o insultavam. Só por conta delas não terem gostado das novas músicas do Linkin Park. Isso machucava ele bastante. O ódio ao “One More Light” foi direto no seu coração.

Unicum: Você estava assustado com isso por ele?

Mike: Nós sempre tentamos cuidar um dos outros da melhor forma possível. Mas a preocupação sempre esteve em nossa mente. Talvez dentro da nossa mente, nós realmente olhávamos com cuidado como ele estava. Mas você não pode ver o que está acontecendo no interior de alguém.

Unicum: Três canções do “Post Traumatic” foram lançados em Janeiro como um EP. Como os fãs reagiram a isso?

Mike: Foi muito tocante, eu criei as músicas da maneira mais próxima possível com nossos fãs. Eu realmente queria que as pessoas entrassem no meu mundo. E eu fui tocado pelo amor e consolação que eu tive em todas as redes sociais. Eu ouvia muito de pessoas reclamando que as crianças passavam muito tempo em seus celulares. Eu fiz uma experiência totalmente diferente com isso. Os fãs nas redes sociais tiveram muito compaixão comigo. Mas não só comigo, com os outros fãs também. Eles estavam consolado uns aos outros de uma maneira muito bonita. Isso foi ótimo.

Unicum: Em “Place to Start” nós escutamos seus amigos falando em sua secretária eletrônica perguntando como você estava.

Mike: Sim! Um número inacreditável de pessoas entrou em contato comigo. Eles sempre me perguntavam: “O que aconteceu?” ou “Como você está?”. Normalmente se seu amigo ou algum membro de sua família morre, um círculo pequeno dos amigos mais próximos pergunta como você está e se importa com você. Mas, se você está é uma figura pública, o mundo todo sabe o que aconteceu, o círculo é muito maior do que você imagina. Eu respondi essas perguntas muitas vezes, a maioria das vezes online. Eu não podia deixar minha casa nas primeiras semanas.

Unicum: Por que não?

Mike: Eu queria ficar sozinho com meu luto. Eu queria ter um tempo comigo mesmo. Eu sai de casa uma vez para um almoço e algum paparazzi me viu. Eles ficaram em pé ao me redor e foi muito irritante. Eles me encheram por fotos e entrevistas. Eles ficaram em pé ao redor do meu carro, e foi tão irritante, eu não podia nem dirigir para ir embora sem bater neles. E então eles gritavam “Mike, conte-nos o que aconteceu”, “Mike, você está esta triste?”. Eu só falei para eles que eles deveriam se sentir envergonhados. Depois disso, eu não sai de casa novamente por semanas.

Unicum: Quando você decidiu finalmente sair novamente?

Mike: Eu não poderia ficar em casa pelo resto da minha vida, obviamente. Eu tinha que levar os meus filhos para a escola. E eu tinha que ir para a festa de aniversário dos amigos das crianças. E obviamente, todos os outros parentes das crianças perguntavam “Mike, como você está?” “Mike, nós podemos te ajudar?” Eu apreciava isso. Quando alguém falava comigo sobre Chester, eu imediatamente lembrava o momento que eu ouvi o que aconteceu. Eu pensei, “Okay, se eu não tenho as respostas para estas perguntas, eu vou criar músicas para lidar com isso”.

Unicum: Músicas como “Watching As I Fall” e”Nothing Makes Sense Anymore” são muito mais obscuras e desesperadas que “Lift Off” ou “About You” por exemplo, por quê?

Mike: Eu sempre tentei capturar meus sentimentos e coloca-los dentro das músicas. Então eu tive diferentes estágios de luto e você pode ouvir isso nas diferentes músicas do álbum. Mas os estágios não acontecem em ordem, eles vem aleatoriamente. Mas basicamente no ultimo ano, a jornada foi de um lugar muito obscuro e triste para algo completamente novo. Chester não está vivo mais. Ele foi uma pessoa muito especial e uma das melhores vozes da nossa geração. Nós estamos felizes de ter conhecido ele. Eu não queria dizer que você tem que viver com o que aconteceu, porque eu não poderia. Ainda é incompreensível para mim. Mas de alguma forma, você tem que lidar com isso.

Unicum: O quão importante foi o humor durante seu processo de luto?

Mike: Muito mais importante do que eu pensava. Nós sentamos e ainda fazemos muitas coisas juntos, Talinda, Anna e eu. Algumas de nossas conversas são muito obscuras, mas algumas são bem divertida para ser sincero. Nós costumávamos pensar “O que nós estamos fazendo aqui?” enquanto nós estávamos rindo. Mas essa era a maneira que Chester era. Ele era muito divertido. Ele era o tipo de pessoa que aleatoriamente ia até estranhos e falava com eles. Ele amava isso.

Unicum: “Sometimes you say Goodbye over and over and over again”. O que você quer dizer com isso?

Mike: Eu escrevi o primeiro verso no dia que tocamos o show no Hollywood Bowl. O segundo verso foi escrito no dia seguinte. Essa foi a época que tudo lembrava a morte de Chester, a tragédia, a incerteza e o dano a minha vida profissional. “Over Again” me ajudou a passar por esse caos.

Unicum: O que a canção “Lift Off” fala sobre?

Mike: Isso é sobre escapismo. Quando tudo isso se torna muito pra mim, eu tento fazer uma pausa do luto. De alguma forma, eu tento ser feliz e positivo. Então é sobre isso que é “Lift Off”, uma canção positiva. De alguma forma essa canção também é sobre utopias. Meu pai era engenheiro aeroespacial, ele trabalhou em lançamento espaciais e em helicópteros de combate. Pra ele, tinha uma solução técnica para tudo. Eu realmente admiro isso. Quando eu era criança, meu pai me levou para um lançamento de foguetes e foi realmente fascinante para mim, mas não era meu destino. Eu queria ficar na terra. Aqui é o nosso futuro.

Unicum: Então você está positivo para o futuro?

Mike: Totalmente! Porque eu vejo essa obstinação e o imperturbável otimismo da geração jovem para resolver os problemas de que todos nós falamos. Eu não era nascido ainda quando nós tínhamos a mesma situação – Os protestos contra a guerra no Vietnã. As crianças estão motivadas e apaixonadas pelo o que elas estão lutando. Seus objetivos eram mudar o mundo e isso é similar hoje. E com a internet, que é uma boa ferramenta para se alcançar isso.

Unicum: Você pensa que como um homem de 41 anos, você é parte deste movimento?

Mike: Eu tenho a impressão que eu tenho muito em comum com as pessoas nos seus “20 anos” do que com pessoas da minha idade.

Unicum: Como serão seus shows?

Mike: Eu irei tocar algumas canções do projeto solo, algumas do meu projeto paralelo Fort Minor e algumas canções do Linkin Park. E eu estarei “solo”.

Unicum: Eu acho que o futuro do Linkin Park ainda é desconhecido, certo?

Mike: Sim. Nos não temos planos. Algumas vezes nos encontramos e vamos almoçar ou para o estúdio. Algumas vezes estamos fazendo música, mas só para nós mesmos. Não com o objetivo de criar alguma coisa para divulgar. Nós temos que nos arranjarmos com a situação. Nós temos que encontrar estabilidade. Nós temos que criar novas versões de nossas vidas. Isso precisa de tempo, seja o que for que irá acontecer com o Linkin Park, nós somos amigos e somos uma comunidade. Nós sempre iremos ficar juntos. Eu simplesmente amo esses caras e acho que eles também.

Fonte: Unicum
Tradução: Gabriel Guilherme

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