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O livro de estreia de Anna Shinoda como escritora, Learning Not To Drown, é emocionante, fascinante e envolvente. Ele instantaneamente faz o leitor se prender na história sonhadora, tecendo um conto inesquecível de uma família, suas experiências e aflições. Learning Not To Down continua sendo um dos melhores livros que você vai ler no ano.

Dado esta ligação artística, o editor-chefe da ARTISTdirect.com, Rick Florino, conversou com a autora Anna Shinoda e seu marido Mike Shinoda, para uma entrevista exclusiva sobre o seu livro e muito mais.

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Mike Shinoda e Anna Shinoda

Os diálogos em Learning Not To Drown (Aprendendo a não se Afogar – tradução livre) as vezes são muito sonhadores, mas a história em si é realista. Como você consegue conciliar esses dois sentimentos?

Anna: Eu acho que parte disso tem a ver com meu processo de escrita em geral. Eu provavelmente gasto 90% do meu processo sonhando acordada, o que eu acho que nos leva aquele outro sentimento sobrenatural em algumas partes do livro. Eu começo a pensar em outras coisas, e a cena começa a vir na minha cabeça. Lentamente, eu começo a sentir o cheiro das coisas e o que está acontecendo nos diálogos. Uma vez que tenho um bom controle sobre a cena, eu sento e começo a escrever sobre isso. Eu tento passar essa cena para o computador. Eu volto à cena e tento torná-la mais coesa na história, durante meu processo de revisão. Eu fiz 22 revisões completas no meu livro, isso sem contar as revisões individuais de cada capítulo. Neste processo, eu tento deixá-lo um pouco mais concreto e moldá-lo em uma história compreensível com começo, meio e fim.

Você deixa o leitor entrar na cabeça da Clare, enquanto claramente estabelece seu caráter.

Anna: Com certeza! Isso foi algo que foi muito importante pra mim, porque eu queria que o leitor tivesse essa experiência de saber como é ter um membro da família que está preso. Foi crucial fazer com que o leitor estivesse lá, com a Clare, durante toda a sua história.

O livro começa analisando a família dela e rapidamente levando o leitor para dentro do conflito.

Anna: O engraçado é que, no meu primeiro rascunho, eu tentei fazer ser uma grande surpresa, o irmão estar preso e no meio do livro você descobrir: “Uau, é isso que está acontecendo!”, e não funcionou. Foi legal fazer uma revisão onde eu contei isso logo no começo e entrar logo no problema, e não ser mais um segredo para o leitor. Funcionou muito bem.

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Anna Shinoda e Talinda, esposa do Chester Bennington, no lançamento do livro.

Você ouve músicas enquanto está escrevendo?

Anna: Quando eu estou escrevendo eu geralmente gosto de ouvir músicas sem palavras. Então, eu normalmente ouço músicas clássicas. Emerson String Quartet é um grupo de músicos que eu estava ouvindo enquanto estava escrevendo este livro. O que eles fazem tem esse sentimento escuro, perturbador, mas também um sentimento de esperança. Este foi um dos grupos que eu escutava. Eu ouvia praticamente qualquer música clássica, desde que não fosse uma muito conhecida. Eu não gostaria de estar ouvindo “Fur Elise”, ou algo assim, porque meu cérebro já a conhece muito e poderia acabar saindo outras memórias relacionadas com essa música.

Mike, qual foi a sua primeira reação ao ler Learning Not To Drown? O que você sentiu?

Mike: Bem, eu li pela primeira vez uma versão dele que parecia mais um livro de memórias. Anna trabalhou neste livro mais ou menos 10 anos. A primeira versão dele era como um desabafo. Ela o desenvolveu e melhorou, meio que se retirou da história e substituiu esses elementos por personagens mais interessantes e coloridos que eram maiores do que na vida real. Isso não quer dizer que história é uma fantasia. Na verdade é um romance muito realista e complexo. E é isso que eu gosto dele. Eu vi esse processo acontecer, e ela tomou várias decisões para deixar a história melhor. E isso serve para as músicas também. E é mais real ainda para pinturas e desenhos, que foi o que cursei na faculdade. As vezes, quando você desenha algo que é muito parecido com a coisa em sí, ela não parece muito real. Então, quando você joga cores artísticas e profundidade, isso começa a se parecer mais com o que você sente quando olha para algo. Acho que isso foi o que aconteceu na história da Anna.

Anna: Eu queria falar, que o Mike foi capaz de ajudar a criticar o que eu estava fazendo, e me dar retorno durante todo o processo. Ele não lê uma tonelada de coisas, mas ele realmente é muito bom em dar um olhar crítico para alguma coisa. Em alguns capítulos eu queria ter a certeza que eu não tinha feito errado, principalmente a parte dos meninos, quando Peter está descrevendo o que ele viu para a Clair. Eu queria ter certeza que aquilo soou verdadeiro, que parecia um adolescente menino contando uma história para a sua irmã e não uma adulta mulher tentando se parecer com um adolescente contando uma história (risos). Mike realmente foi prestativo com pequenos ajustes como “Não, não, um cara nunca iria dizer isso. Tire essa parte e coloque desta outra forma.” Isso foi muito útil para mim.

Photo credit: Bobby Kim 5

Em ambas respectivas formas de arte, você examinou o vício. Como você personaliza essa exploração de um assunto tão delicado e se comunicar de uma forma tão diferente?

Anna: Uma coisa que aprendi ao longo dos anos, tendo vários conhecidos com problemas de dependência e vícios, a conclusão que cheguei é que eles merecem o respeito como serem humanos e que o vício é apenas uma parte das suas vidas. Isso é algo que eu acho que as pessoas esquecem, na representação de viciados em filmes e coisas assim. Eles são pessoas normais a maioria do tempo, até que ficam viciados. Pessoalmente, eu quero mostrar essa visão muito realista de como é isso. As drogas, o álcool e seus efeitos não estão lá o tempo todo. Consciente ou inconscientemente, isso que era importante para transmitir com essa história. É difícil para alguém que ama essa pessoa experimentar os dois lados dela.

Mike: Da minha parte, a primeira coisa que eu penso é na abordagem. Se você conhece alguém que é dependente, é sempre uma coisa difícil. Da minha perspectiva, o que tem sido mais eficaz, mas que também é difícil, é dizer para a pessoa “Você está fazendo algo para você mesmo que está te afetando. E isso afeta outras pessoas a seu redor. Eu me preocupo com você, mas eu também não posso concordar com isso.” Você tem que ser firme e dizer “Se você continuar assim, eu não tenho escolha a não ser não participar disso – não sair mais com você e não ter mais uma amizade com você, nunca mais.” É tudo o que você tem a fazer, com o intuito de se proteger. Eles estão à mercê dessa outra voz dentro de suas cabeças. Muitas vezes, é uma voz muito convincente. Eles precisam perceber que eles estão fazendo algo negativo para eles, porque pode não parecer que é.

O quanto é claro a visão de um todo da história, enquanto você está criando?

Anna: Eu tinha escrito outros rascunhos antes desse, mas eles não iriam vender. Parte da razão deste acabar sendo publicado, e acabar indo bem, é porque encarceramento (presidiários) e seu efeito sobre os membros da família é muito importante para mim. Eu cresci com um irmão entrando e saindo da prisão. Para mim, foi encontrar um tema que foi tão importante e verdadeiro comigo mesmo, e em seguida, fazer uma pesquisa e explorar como isso se encaixa no mundo em geral, e tentando criar um romance que mostra a realidade da situação. Foi difícil escrever, mas tinha aquela semente da importância e da paixão para mim. Como eu estou avançando e trabalhando em outros projetos, esse agora é onde estou começando. Meu próximo projeto é com um tópico muito importante para mim, pode ser algo pessoal ou algo que eu estou vendo ao meu redor, e que eu sinto que é uma injustiça enorme. Não é falado sobre isso ou lidado da forma que deveria ser. Os Estados Unidos tem a maior taxa de encarceramento do mundo. Quando você considera que há mais ou menos dois milhões de pessoas na prisão, percebi que haviam muitas pessoas assim como eu. Muitas pessoas não querem se abrir e falar sobre isso, e os efeitos que isso tem nas famílias, mas isso está acontecendo, independentemente das pessoas falarem ou não.

Que livros, filmes ou músicas vocês dois compartilham?

Anna: Nós compartilhamos muitas coisas em comum. Nós dois somos fissurados em museus. Sempre que estamos em turnê, algo que eu sei que o Mike vai querer fazer é um visitar algum museu ou uma exposição de artes.

Mike: Nós gostamos de filmes como Clube da Luta ou filmes de Tim Burton. O que assistimos recenetemente, Anna?

Anna: Foi o Donnie Darko, e nós dois saimos tipo “Huh?”. Estávamos de férias e decidimos assistir. Meu filme favorito é Ensina-me à viver, o do Mike é Seven – Os Sete Crimes Capitais. Nós estamos interessados nessa arte que é meio obscura, mas que ainda tenha uma pitada de humor. A respeito de livros, nós dois amamos Augusten Burroughs e David Sedaris. Se você estiver lendo eles sem humor, você vai se deparar com algo incrivelmente tenebroso. Lendo com humor, você acrescenta uma camada extra. Isso é algo que eu e o Mike gostamos. Existem também alguns pintores clássicos que nós dois gostamos. Rubens é o nosso favorito. Ele tem esse lado sinistro, bizarro e interessante.

Quando vocês dois vão trabalhar juntos em algo?

Mike: Seria muito divertido. Nos já conversamos sobre isso, embora não temos nada planejado neste momento.

Anna: Não há planos concretos, mas seria muito divertido.

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Fonte: ARTISTdirect | Tradução Linkin Park Brasil

 

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