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O Linkin Park pode não ter inventado o new metal, mas eles definiram o gênero através de seu som único e criaram uma comunidade de fãs para o tipo de fãs que representavam: jovens descontentes que queriam músicas agressivas que expressassem a complexidade emocional e frustrações com uma mistura de hip-hop e hard rock, construído para reinar nas rádios. Na base disso estavam os vocalistas Chester Bennington e Mike Shinoda. O falecimento de Chester, há três anos neste mês, encerrou esta base que vendeu mais de 70 milhões de álbuns e criou singles como Numb e In The End, que continuam acumulando milhões de visualizações no YouTube, uma plataforma que nem existia quando eles foram lançados.

Desde então, Mike Shinoda se mantém ocupado fora do Linkin Park enquanto reestrutura o que terá a seguir para eles como grupo. Seu disco solo de estréia, Post Traumatic, foi lançado em junho de 2018 e provou que, apesar dos desafios do ano anterior, ele não estava largando tudo “O álbum era mais sobre lidar com as coisas e refletir sobre as coisas como eu fazia“, disse ele à Billboard na época. “O ato de apenas sentar e fazer as coisas me ajudou a processar tudo.

Agora, dois anos depois do Post Traumatic, com o mundo mergulhado nas incertezas de uma pandemia que parece persistir por mais um tempo, Mike sentou com alguns teclados e uma câmera e decidiu assumir um novo desafio de reunir os fãs para um álbum colaborativo, Dropped Frames. Além de seu single principal, Open Door, que conta com vocais de sete fãs ao redor do mundo, o álbum é totalmente instrumental e diferentes em todos os sentidos, contém desde ritmos latinos em El Rey Demonio até algo mais bobo, como a música Booty Down.

É um álbum descontraído e alegre para ser lançado durante esse período marcado pela tensão compartilhada entre as pessoas. Pode ser exatamente o que precisamos para nos lembrar de nos divertir.

Como muitos artistas, você começou a ter lives durante a quarentena para se manter envolvido com os fãs e ficar ativo na música. Você começou essas lives sabendo que faria um álbum completo ou essa ideia veio depois?

MIKE: Bem, quando a quarentena começou, parecia o filme Feitiço do Tempo ( Dia da Marmota). Todo dia era o mesmo, e eu estava perdendo a noção de tudo, perdendo a noção do tempo. Parecia que eu estava nesse limbo. Comecei a ver outros artistas que tinham turnês agendadas e coisas assim e comecei a ver eles fazendo shows em suas casas e isso nunca me atraiu. Eu não gostava disso e não queria fazer o mesmo. As pessoas perguntavam se eu faria, mas eu não queria fazer.

Todo dia eu ia no meu estúdio e fazia coisas. Em um certo momento, percebi que só precisava me conectar com as pessoas. Então liguei meu telefone e fui no Instagram e compartilhei uma sessão de composição com os fãs. Eles adoraram e o bate-papo foi muito divertido e vibrante, então eu fiz de novo.

Mas tem duas coisas que mudaram o jogo para mim. Uma delas foi que eu tinha a música chamada Open Door e queria colocar um vocalista, e até me passou pela cabeça em fazer alguns telefonemas e encontrar um vocalista certo para ela. Mas sendo que eu transmiti a criação dessa música, decidi perguntar aos meus fãs se havia alguém na base de fãs que fosse um bom cantor. Acabei pegando sete pessoas diferentes e coloquei elas na música, porque recebi muitas submissões que eram boas. Isso foi algo que me fez sentir como se estivesse mantendo o foco nos fãs e nessa comunidade da qual fazemos parte, e é ótimo.

A segunda coisa foi que parei de fazer isso pelo Instagram e, eventualmente, parei de fazer a live no YouTube e decidi seguir com o Twitch. O motivo disso foi que o Twitch não havia ninguém como eu. A maioria dos streamings são jogadores e diversos artistas que desenham ou pintam. Tem DJs e algumas pessoas tocando música ao vivo, mas a maioria está tocando sobre uma música existente ou tocando guitarra por cima de um álbum. Isso não é algo que você pode fazer por horas a fio. Para a maioria dos músicos, quando você toca 60 ou 90 minutos e você está cansado!

Então, pensei, escrever músicas é algo que faço o dia todo, todos os dias e, de certa forma, acho que é um pouco mais divertido de assistir. Uma das minhas regras internas é que eu gosto de deixar a música rolando. Não quero parar e começar muitas vezes. Eu tento fazer coisas que tenham uma resposta rápida em termos de resultados, então não farei os vocais porque eles demoram muito tempo e tem muita mágica em conseguir acertá-los.

Fantástico. Vi apenas algumas pessoas fazendo música no Twitch, como Matt Heafy, do Trivium, e algumas outras, mas eram principalmente elas tocando covers. Eu realmente gostei de assistir a interação entre você e os fãs.

Sim, algumas das coisas começaram por causa da plataforma. A plataforma permite que você faça jogos paralelos e tem um sistema de pontos e bate-papo, então eu criei um sistema de pontos. Então você pode resgatar os pontos para sugerir um estilo musical para mim ou um estilo de arte ou fazer uma pergunta. Então os fãs enviam os estilos das músicas e eu anoto e coloco em uma tigela e sorteio mais de um estilo por live.

Alguns fãs tentam me surpreender e outros estão sendo engraçados. E eu faço. Um que fizemos no outro dia foi Red Hot Chili Peppers com Prince e um Wombat.

Como você consegue os sons de um wombat?

Eu mesmo tive que fazer! Eu não queria usar o vídeo de um wombat emitindo sons devido aos direitos autorais, por isso ouvi os sons do wombat e fiz com a minha voz. Os fãs estavam histéricos no chat.

Então eu sei que você teve alguns problemas com a “Open Door” entre você e a gerência, e você não sabia se iria incluí-la neste álbum. Como você chegou à decisão de ir em frente e também encontrou aqueles sete vocalistas?

Eu senti que seria natural incluir essa música no álbum porque ela foi o início de tudo isso, certo? Foi a live dessa música que levou a criação do canal e a composição das músicas nesse canal. O processo de fazer isso me fez perceber que os fãs eram uma parte de igual importância nessa equação. Eu tenho certas habilidades que eu posso fazer e vocês como espectadores podem me dizer como usar essas habilidades de maneiras que todos nós vamos nos divertir e me desafiar. Eu me sinto animado em fazer algo que vai entretê-los.

Sinto que grande parte da sua carreira está enraizada na colaboração, seja musical ou visual. Você se sente mais satisfeito quando trabalha com outra pessoa?

Com certeza. Eu gosto do processo criativo doido, mas também gosto da parte lógica, da parte da solução de problemas. Fazer isso com outra pessoa é gratificante, assumindo que a dinâmica funcione. Se eu estou trabalhando com alguém que eu não gosto do que eles estão fazendo ou que eu não sinto que eles estejam contribuindo, isso simplesmente nunca funciona. Mas isso é raro.

Então eu assisti parte da sua live hoje e havia uma pergunta lá que ficou pesada. Era: “Se você tivesse a máquina do tempo do Dr. Brown e pudesse voltar e mudar qualquer momento da sua vida, qual seria?”

Oh, Deus, você se sintonizou nesse exato momento?

Parecia que o universo dizia: “Foda-se, fique triste hoje.” Mas você foi para um lado mais sombrio e emocional. Todos pareciam entender qual era a resposta óbvia, mas você a abordou de uma maneira que lidava com a gravidade da pergunta e fazia sua própria pergunta, que era algo como: “Mesmo se eu pudesse voltar, isso mudaria o resultado do que aconteceu com alguém que tentou se suicidar várias vezes?” Mas você pode realmente voltar no tempo e salvar alguém? Isso mostrou um grande nível de vulnerabilidade. Como você equilibra o que você deixa que as pessoas veem e o que você mantém em privado?

Bem, são muitas perguntas em uma pergunta só. A última é a mais fácil de responder, o que é simplesmente: vem com a experiência. Por estar no Linkin Park há muitos anos, fazendo entrevistas, respondendo a todos os tipos de perguntas que você possa imaginar… mas também não vamos desconsiderar ter pais que ainda estão juntos e realmente se importam comigo, meu irmão, nossos filhos e outras coisas.

Mas a primeira parte da pergunta fica complicada. O que é mais interessante de você ter pego este momento é que foi algo totalmente novo. Isso não foi algo que havia acontecido antes na live. Isso consumiu completamente meu dia, ainda estou revirando isso na minha cabeça.

Uma das coisas que me fez perceber é que eu preciso ser um pouco mais seletivo sobre quais perguntas eu respondo quando sei qual será a resposta. Não quero machucar mentalmente ninguém que possa estar assistindo. Não quero colocar esse pensamento na cabeça deles apenas porque alguém me faz uma pergunta importante. A pessoa que fez a pergunta nem estava pensando nisso. Eles simplesmente não estavam se colocando no meu lugar, mas a resposta honesta é, efetivamente: “Qual foi a pior coisa que já aconteceu com você?” É não era isso que eles queriam perguntar, mas mesmo se você perguntar isso a alguém que sofreu algum tipo de abuso, é imediatamente para onde o cérebro dessa pessoa estará indo.

O que eu não percebi antes é sou eu quem estou moderando, sou eu quem está no controle da conversa. O bonito do que aconteceu hoje é que essa foi uma resposta honesta. Eu estava vulnerável, mas não é bom ser colocado nessa situação. Também permite que as pessoas saibam que essa é a realidade. Nem sei como qualificar meu relacionamento com Chester porque éramos melhores amigos e criamos uma identidade única, incrível, criativa e comercial juntos. Não era como “oh, nós fizemos álbuns legais”. Nossa identidade era o Linkin Park. Fizemos isso juntos e isso foi alterado. E essa alteração foi tocada hoje e o fato é que isso é real.

Eu me sinto mal pela realidade aparecer nas redes sociais ou na live, mas não da para escapar dela. É o que é, e vai estar lá. Mas uma coisa que eu aprecio no canal e na live, o que me faz voltar sempre, é que provavelmente é a forma mais civil de comunidade ou rede social online. Eu acho que isso é um pouco difícil para as pessoas entenderem porque fazemos piadas internas, além de ter 3 horas de live. Não é para todos. Isso elimina muitas pessoas. As pessoas que aparecem e se dedicam dizem: “Estou aqui. Eu apareço para isso.”

Portanto, o bate-papo acaba sendo com uma comunidade mais unida. Nos últimos meses, pudemos falar sobre raça, religião, política e saúde mental. Se fosse qualquer outro tipo de rede social, seria impossível. Todo mundo sabe como essas conversas são no Twitter ou Instagram.

É tóxico!

É totalmente tóxico, mas a comunidade no meu canal do Twitch não é tóxica. Eu sinto que é um tipo de cultura muito “para cima” e não uma cultura de detonar.

Porque você conseguiu criar essa comunidade, você se vê fazendo mais álbuns colaborativos como este com fãs no futuro, inspirados pelos fãs e pelas interações no canal?

Isso continua em aberto. Não sei aonde essas coisas vão levar, mas estou tentando estar em sintonia para deixar as coisas acontecerem. É isso que torna o canal emocionante em primeiro lugar. Eu costumo preparar as coisas para a live por volta das 9 da manhã. Depois, continuo às 10 e começo uma coisa totalmente nova do zero. Eu tenho algo meio pronto geralmente por volta de meio dia ou uma. O exercício de fazer isso é realmente super divertido e também é libertador. É aceitar o fato de que as coisas podem ir bem ou as coisas podem ir muito mal. De qualquer forma, há um resultado positivo nisso. Ou estamos comemorando porque funcionou ou estamos rindo porque é tão terrível que não podemos acreditar.

Fonte: Alternative Press | Tradução Linkin Park Brasil

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