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O Linkin Park ampliou os limites ao pensar grande em seu álbum multi-conceito – e mesmo uma década depois – continua a dividir e confundir…

Na época pré-lançamento do A Thousand Suns, os integrantes do Linkin Park não queriam falar muito sobre seu quarto álbum, por medo de revelar a sua direção, em uma entrevista para a revista Kerrang!. A banda estava incerta sobre explicar os pensamentos, sentimentos e significados do seu trabalho até então. Essa relutância parecia ser um desejo de fazer os ouvintes serem pegos de surpresa com algo tão diferente que faria o salto entre os álbuns Meteora e Minutes to Midnight parecer um mero passo de pombo.

Queremos ir para um lugar psicodélico onde você possa sentir e ver os sons”, explicou Chester Bennington entusiasmado. “Queremos combinar tudo em uma história que pareça como se estivéssemos levando você em uma jornada.

Em 2008, o Linkin Park lançou um single autônomo chamado New Divide. Um ano antes, What I’ve Done foi incluída na trilha sonora de Transformers. New Divide, no entanto, foi escrito especificamente para sua sequência “Transformers: Revenge Of The Fallen” e foi baseada nos temas explorados no filme que foi de grande sucesso. Embora semelhante ao trabalho anterior da banda, dada sua estrutura verso-refrão-verso, o uso pesado de sintetizadores e a aderência a um novo conceito fizeram com que a banda repensasse as suas possibilidades.

Ficou claro que essas possibilidades foram exploradas em um nível que ninguém poderia ter imagino quando seu quarto álbum foi lançado. A Thousand Suns não apenas foi a evolução musical sem precedentes do Linkin Park, mas também seu crescimento intelectual. Era a troca de um som de “zangados com o mundo” por um álbum “furioso com o que estava acontecendo com o mundo”. Tratava de frases políticas, como uma frase do discurso lendário do ativista Mario Savio que foi sampleado na faixa Wretches And Kings e a instrumental Wisdom, Justice and Love que daria uma amostra de outro ativista, Martin Luther King Jr.

O título, A Thousand Suns, foi inspirado em escrituras de Bhagavad Gita, de um antigo idioma hindu, chamado Sânscrito, mais precisamente da frase “se o brilho de mil sóis explodisse de uma vez no céu, isso seria como o esplendor do poderoso“. O físico e ‘pai da bomba atômica’, J. Robert Oppenheimer, descreveu a explosão cegante desencadeada pelo primeiro teste bem-sucedido do exército dos EUA, com o codinome Trinity, em 1945. Oppenheimer foi sampleado na faixa The Radiance, enquanto em The Catalyst, o primeiro single do álbum e um indicador precoce das reações confusas que viriam, Chester e Mike incorporaram as palavras de Oppenheimer perguntando ‘Será que queimaremos dentro do fogo de mil sóis?

Os medos sobre a era nuclear, a guerra e a destruição, informariam que, o que Chester anunciou publicamente, seria um álbum conceitual. Exceto que não foi realmente. Tradicionalmente, os álbuns conceituais têm narrativas impenetráveis, ou seja, contam uma história no início ao fim, mas o Linkin Park havia usado o termo mais como uma forma de descrever que o ouvinte deveria ouvir o álbum do início ao fim pois as músicas se encaixam, principalmente em uma época que o streaming mudou completamente a forma como as pessoas consumem música.

O objetivo é fluir do início da primeira faixa até o final da última”, explicou Mike. “Essa jornada só pode ser vivida se você ouvir o álbum do início ao fim.

Mais tarde, Mike faria um grande esforço para esclarecer que, apesar do que foi dito antes, A Thousand Suns não era realmente um álbum conceitual, mas sim um “álbum multiconceito”, dados os diferentes temas e problemas que o álbum tratava.

O termo geralmente se refere a coisas como ‘óperas de rock’ e coisas desse tipo, que têm uma narrativa. E esse álbum não tem uma narrativa, uma história só, é mais abstrato do que isso”, explicou Mike. “Esse álbum é como um quadro de Jackson Pollock“.

Linkin Park, que no seu início foi descrito como “Helmet encontra Deftones encontra Rage Against The Machine”, pelo seu primeiro vocalista Mark Wakefield, mostra agora a sofisticação de sua recém-descoberta, com a comparação do A Thousand Suns com o trabalho de Pollock.

Para um álbum tão focado e dependente de sua construção, sua abordagem foi consideravelmente mais flexível do que antes, um processo que Mike descreveria como “uma mistura estranha de perfeccionismo e caos absoluto”.

Assim como em Minutes To Midnight, Rick Rubin iria co-produzir com Mike Shinoda. Ao contrário de seus dois primeiros álbuns, A Thousand Suns não nasceu do método usual da banda de trabalhar em pares para montar e desconstruir o trabalho um do outro, o que provavelmente tinha mais em comum com o hip-hop do que com rock e metal. Em vez disso, foi construído com base em longas jam sessions, nas quais nenhuma direção estava fora dos limites e as inspirações, por mais incomuns que fossem, eram continuadas até suas conclusões.

Há momentos em que é mais produtivo apenas vagar pelas ideias que começam a surgir sem uma preocupação real com o tempo ou a estrutura”, explica Mike. “Às vezes, ir mais fundo na toca do coelho é a melhor ideia, mas há outros momentos em que realmente se torna mais científico ou matemático, indo ao computador e certificando-se que cada pequena edição é perfeita, para obter os melhores resultados.

Chester, que admitiu estar amedrontado com a ideia de fazer um álbum conceitual quando ela foi discutida, no entanto, se sentiu liberado por essa nova forma de trabalhar. O lançamento de Out Of Ashes, o álbum de estreia do projeto paralelo Dead By Sunrise, provou ser uma produtiva férias, distance do seu trabalho diário, e também, uma válvula de escape eficaz para seus problemas relacionados ao seu passado. Em 2008, entre os lançamentos de Minutes To Midnight e A Thousand Suns, o cantor deu uma entrevista a Kerrang! no qual ele descreveu a extensão do abuso sexual que ele sofreu quando criança.

Comecei a ser molestado quando tinha cerca de sete ou oito anos”, explicou Chester. “Foi por um amigo que era alguns anos mais velho que eu. Escalou de um nível sensível-curioso, ‘o que isso aqui faz’ para violações completas e malucas. Eu estava apanhando e sendo forçado a fazer coisas que não queria fazer. Isso destruiu minha autoconfiança.

Pela primeira vez na minha vida estou realmente confortável estando sozinho”, ele admitiu dois anos depois, quando abraçou a sobriedade e o apoio de sua família. A letra do segundo single, Waiting For The End, explorou as lutas e o medo que Chester experimentou ao passar o tempo em sua casa, na sua própria companhia.

Sentado em uma sala vazia tentando esquecer o passado
Isso nunca foi feito para durar
Eu gostaria que não fosse assim

O Linkin Park começou a discutir o álbum que se tornaria A Thousand Suns no final de 2008. No ano seguinte, eles trabalharam nas canções chamadas Aubrey One e Froctagon, escritas na estrada enquanto a banda fazia uma turnê de divulgação do Minutes To Midnight, que sugeria um voltar para terreno mais pesado. As faixas Malathion + Tritonus e Blanka até seriam comparadas aos seus companheiros de turnê daquele ano, Metallica.

No final, nenhum dessas músicas foram incluída no A Thousand Suns, aparecendo apenas no LP Underground XIV de 2014, porque a banda de repente mudou sua direção drasticamente.

A presença de Rick Rubin ajudaria a conduzir esta viagem ao desconhecido, com o produtor ajudando a banda a preencher as lacunas que outros artistas não estavam ocupando, usando a capacidade criativa da própria banda.

Se eu e Rick Rubin estivéssemos ouvindo uma música que estivéssemos escrevendo, um dos exercícios seria nos perguntar ‘Como isso soa?’ ” lembrou Brad Delson. “E a gente tinha que nomear três, quatro ou cinco artistas e, em seguida, perguntar: ‘O que esses artistas não podem fazer? Que talento eles não tem ou que não é seu forte?’ E, em seguida, acrescentávamos isso, porque isso que é bom na nossa banda, ela é muito versátil, então podemos adicionar coisas estranhas às músicas. Isso é algo que usamos o tempo todo.

Nós sabíamos que não iria agradar a todos“, disse Mike sobre as reações de um público. “Não apenas nossos fãs, mas os fãs de música em geral hoje em dia digerem as coisas em um formato diferente, com uma única música. Sabíamos que lançar um disco como aquele, onde todas as músicas se encaixassem, seria um desafio.

No seu lançamento, Ian Winwood da Kerrang! elogiou a qualidade alucinante e ambição de assumir riscos, sugerindo que a mudança consciente e épica do escopo resultou em um esforço que “só pode ser descrito como um álbum político ”- uma avaliação com a qual Mike não teria concordado.

A análise de K! também notou semelhanças com o clássico álbum “Fear Of A Black Planet”, do Public Enemy, de 1990. Um álbum igualmente épico, denso e repleto de samples que lidam com questões desafiadoras – uma comparação que certamente agradou ao devoto do hip-hop Mike, que pagou homenagem aos heróis do rap em Wretches And Kings.

Outros, enquanto isso, compararam A Thousand Suns a uma variação mais otimista do álbum Kid A do Radiohead, de 2000. O álbum trocou as guitarras paralelas pela música eletrônica, confundindo muitos em seu lançamento antes de atingir o status de clássico.

Não importa quem está certo, mas o que todos podemos concordar é que ninguém iria prever que esses dois álbuns seriam pontos de referência ao falar de um novo álbum do Linkin Park.

Fonte: Kerrang!

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