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Desde a sua ascensão nos anos 2000 até os dias de hoje, o Linkin Park tem sido indiscutivelmente a maior banda do século XXI. A banda quebrou recordes atrás de recordes e lotou arenas mundo afora com turnês extremamente bem sucedidas e milhares de discos vendidos. O sexteto californiano sempre foi sinônimo de sucesso, tendo em vista que trouxe um som unicamente híbrido responsável por misturar agressividade e delicadeza como ninguém, além de contar com letras profundas e uma temática questionadora acerca das atualidades pelas quais o mundo atravessava. A genialidade por trás do sucesso da banda sempre esteve na facilidade em se comunicar com seus fãs, assim como a voz responsável por entregar toda essa versatilidade: o único e incomparável, Chester Bennington.

É errado afirmar que o sucesso da banda foi somente devido a escolha de Chester como frontman, porém seria impossível prever até onde a banda iria se não fosse pelo seu ingresso no conjunto. A variabilidade vocal do garoto do Arizona chocou até mesmo seus colegas de banda, e até mesmo nós fãs. Por mais que estejamos acostumados aos seus gritos e também ao seu lado sensível, de alguma forma, a sua potência vocal assombrosa ainda nos surpreende.

Eu gosto de pensar no Linkin Park como um grande quebra-cabeça no qual cada peça tem sua devida função e importância. De acordo com tal padrão, seria impossível que o mesmo fizesse sentido se faltasse alguma dessas peças. O melhor exemplo disso é o seu logo hexagonal cujos lados representam perfeitamente todos os membros da banda. Chester foi a peça mais importante deste quebra-cabeça, uma vez que através de sua trajetória de vida antes, durante e depois de seu ingresso na banda, ele foi capaz de expor todas as suas fraquezas, medos, tristezas, raiva, e rebeldia na qual todos nos sentíamos representados de alguma forma. Graças a essa identificação, o Linkin Park encontrou uma linguagem universal e soube usar ela muito bem.

A grande pergunta que ficou em nossas cabeças desde aquele terrível 20 de julho foi: “Como alguém que veio de baixo, venceu na vida e realizou seu sonho de infância que era ser um rockstar, pode tirar sua vida no auge de sua carreira?“. Eu tentei por muito tempo encontrar uma resposta pra essa pergunta, assim como muitos de vocês que estão lendo esse texto também devem ter se perguntado. Hoje faz mais de um ano do ocorrido e eu ainda não sei a resposta para essa pergunta, assim como acredito que nunca iremos verdadeiramente saber o que aconteceu, pois é muito difícil mensurar a dor de alguém sem enxergar o que de fato está acontecendo com aquela pessoa. A vida de Chester Bennington se resumiu basicamente em uma pessoa que sofreu traumas terríveis ainda muito novo, que cresceu em um meio turbulento e cheio de altos e baixos, e que encontrou certo alívio para essas questões nas drogas e no álcool. Muitos fazem isso até hoje e acabam transformando sua vida em um grande ciclo de “melhorar apenas pra piorar de novo” como Chester mesmo disse.

Algo que tem me incomodado desde o ocorrido, assim como acredito que muitos de vocês também se sentiram assim, foi a falta de percepção minha como fã perante ao seu grito de socorro, o álbum One More Light. Constantemente apresentado como um projeto pop pela grande mídia como uma forma de encaixar a banda no cenário musical atual, o último álbum do Linkin Park em sua formação original sofreu duras críticas. Mesmo sabendo que a banda nunca seguiu uma linha única em seus discos, boa parte dos fãs não gostaram do estilo escolhido pela banda para o seu sétimo álbum de estúdio. Essa reação ofuscou todo o real objetivo que esse álbum trazia: a humanização dos membros do Linkin Park. Mesmo todos, sem exceção dentro da banda, serem músicos extremamente bem sucedidos, passavam por problemas cotidianos e comuns. Assim como todos nós, eles também lidavam com seus próprios demônios e tristezas. Apontado por Mike Shinoda como um disco muito mais encorajador e inspirador do que depressivo e sombrio, a grande realidade é que dentro do mesmo disco é possível encontrar dois lados extremamente opostos de pessoas com prioridades e batalhas completamente opostas.

Se pegarmos como exemplo as músicas “Invisible” e “Sorry For Now“, e compararmos com a temática de outras canções do álbum como “Nobody Can Save Me” e “Halfway Right“, por exemplo, é possível ver com clareza a diferença de experiências e sentimentos entre Mike e Chester. Talvez isso seja um dos grande motivos da química entre ambos ser tão fantástica: “a batalha entre razão e coração“.

Por um lado, Mike sempre foi o cérebro do grupo, a pessoa com maior intelecto e criatividade entre eles. Foi responsável por grande parte das composições e parte técnica do conjunto, entretanto com um pequeno toque sentimental que podemos presenciar com clareza nas músicas supracitadas “Invisible” e “Sorry For Now” as quais abordam a sua preocupação como pai acerca do futuro e presente de seus filhos. Também notamos isso em seu disco Post Traumatic, aonde ele nos da uma visão completamente visceral e única de tudo que ele viveu nos últimos tempos desde a morte do Chester.

Por outro lado temos o nosso Chester, sempre mais caloroso e sentimental. Suas músicas sempre falaram sobre suas dores, tristezas, experiências amorosas e sua constante batalha contra seus vícios. Músicas como “Nobody Can Save Me“, “Crawling” e “Breaking The Habit” são fantásticos exemplos da grande luta interna que ele travou por toda sua vida. Por serem tão opostos, juntos eles foram capazes de darem vida a músicas que entraram pra história, como “In The End“, que é um ótimo exemplo de como dois mundos completamente diferentes podem dar vida a algo incrível. E, graças a constante e indiscutível amizade entre eles e o todo resto da banda, tivemos a grande honra de acompanhar o nascimento de uma das maiores bandas da história da música contemporânea.

É impossível afirmar com toda certeza que o One More Light foi um álbum de despedida, uma carta para nós fãs, ou até mesmo uma última tentativa de desabafar, de alguém que estava cansado de sofrer e carregar o peso de suas tristezas consigo. O que tirou a vida de Chester Bennington foi uma doença, algo que cresceu com os anos, lado a lado junto as coisas boas que ele conquistou em sua vida, e que se agravou a cada perda, a cada decepção e a cada problema que ele enfrentou em sua carreira. O ápice desses eventos iniciou com o acidente envolvendo seu tornozelo em 2015, o qual fora o estopim para ele voltar a beber e ficar deprimido pelo ocorrido, até a morte de um dos seus melhores amigos, Chris Cornell, apenas um dia antes do lançamento do álbum One More Light.

Chester Bennington foi feliz? Sim, ele foi muito feliz, não tenham dúvida alguma disso. Pai de 7 filhos, casado com a mulher que ele mais amou em sua vida, vocalista de uma das maiores bandas do mundo, bem sucedido, talentoso e no auge de sua performance artística. Ele foi, definitivamente, muito feliz, mas no fim de tudo, a dor que ele carregava foi um fardo pesado demais pra ele suportar. Apesar disso, não devemos ver isso como uma atitude covarde ou egoísta. Mesmo com toda a informação que tivermos sobre o assunto, nós nunca poderemos verdadeiramente ter noção do que se passava em sua cabeça e em seu coração, e nem o quão difícil deve ter sido para ele lutar contra tudo isso por todos esses anos. Chester foi uma alma boa e única, com uma sensibilidade e talento incomparável e insubstituível. Como fã, eu sou extremamente grato por ter tido a oportunidade de viver no mesmo espaço e tempo em que ele viveu, ter tido a oportunidade de conhecer ele pessoalmente e ter visto ele inúmeras vezes ao vivo. Chester era, sem sombra de dúvidas, um em um bilhão e o que ficou agora foi não apenas a saudade, como também a gratidão por ter tido ele presente em minha vida. Apesar de toda sua dor, acredito que o maior legado que Chester Bennington nos deixou é a esperança. Ele nos ensinou que é possível vencer a tristeza se preenchermos nossa vida com amor e sonhos e encararmos a vida com um sorriso no rosto. Chester foi a voz de toda uma geração, foi a pessoa responsável pela alegria de milhões de pessoas ao redor do mundo, foi a mão no escuro para muitos de nós, assim como nós, sem sombra de dúvidas, fomos um motivo de grande alegria para ele.

Existe um pouco de Chester Charles Bennington em cada um de nós. A marca que ele deixou em nossos corações vai além do que qualquer um possa ver, ela está na forma com a qual nos importamos com o próximo, na nossa empatia com os problemas que nos cercam, na nossa união perante a grandes crises e causas, na forma em que nos comportamos e, principalmente, em nosso caráter. A música do Linkin Park moldou o que somos hoje, e agora é nosso dever levar esse legado a frente para os nossos filhos e netos nos anos que ainda estão por vir. E sempre com a gratidão de ter tido uma pessoal tão especial em nossas vidas.

Por Hiago Cerqueira

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